CEO da FCA nega irregularidades e semelhança com Volks

Grupo Fiat Chrysler é suspeito de ter fraudado leis ambientais

O CEO do grupo Fiat Chrysler Automobiles (FCA), Sergio Marchionne, afirmou nesta quinta-feira (12) que as suspeitas de que a companhia teria usado um software para fraudar controles de poluentes nos Estados Unidos não têm "nada em comum" com o escândalo da Volkswagen.

A declaração foi dada poucas horas depois de a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) norte-americana ter notificado a FCA sobre possíveis violações do "Clean Air Act" ("Ato do Ar Limpo", em tradução livre), conjunto de normas sobre poluição do ar.

"Não há nada em comum entre o caso Volkswagen e o da FCA. Dialogamos com a EPA há mais de um ano", disse Marchionne, que também negou a existência de qualquer irregularidade. "Pelo que eu conheço desta empresa, posso garantir que ninguém é tão estúpido a ponto de tentar montar um software ilegal", acrescentou.

Segundo a EPA, a Fiat Chrysler teria usado um dispositivo instalado em motores a diesel para realizar emissões de poluentes mais altas que o permitido nos Estados Unidos. As suspeitas dizem respeito a 104 mil automóveis modelo Dodge Ram e Jeep Grand Cherokee. "Mais uma vez uma empresa automobilística tentou se esquivar das regras e foi descoberta", diz uma nota da agência.

A FCA nos Estados Unidos emitiu um comunicado garantindo que seus sistemas de controle de emissões de poluentes "respeitam as normas" e manifestando sua disposição em "colaborar com a nova administração [de Donald Trump]" para "resolver a questão de modo correto".

"Desejamos fortemente encontrar o mais rápido possível os dirigentes da EPA para demonstrar que as estratégias de controle da FCA são justificáveis", afirma a nota. Além disso, Marchionne declarou que é "desagradável" a maneira como a agência ambiental decidiu tratar o caso publicamente.

Os efeitos das suspeitas sobre a FCA foram imediatos, e suas ações na Bolsa de Valores de Milão encerraram o pregão desta quinta-feira com queda de 16%, isso menos de uma semana depois de os papéis terem disparado por conta de uma recomendação positiva do banco norte-americano Goldman Sachs.

No fim de 2015, a Volkswagen admitiu ter usado um software para fraudar testes ambientais nos EUA e na Europa, em um escândalo que abalou sua imagem no mundo todo. A companhia alemã gastará cerca de US$ 15 bilhões para reparar os prejuízos causados pela irregularidade nos EUA e deve pagar uma multa de US$ 4,3 bilhões às autoridades do país.