'Financial Times': Trump vai priorizar América ou isolar?

Artigo critica programa de governo do presidente eleito dos EUA

O jornal Financial Times publicou nesta terça-feira (10) um editorial onde questiona o que representa de fato a eleição de Donald Trump á presidência dos EUA. Ele priorizará a América ou isolará? O novo presidente pode achar que seus objetivos estão fora do alcance de uma superpotência isolacionista.

"Não temos aliados eternos, e não temos inimigos perpétuos. Nossos interesses são eternos e perpétuos, e são estes que devemos seguir". Foi desta forma que Henry Temple, o então terceiro visconde de Palmerston, descreveu a política externa britânica em 1848, a altura de sua pompa imperial. 

"A Inglaterra é um poder suficientemente forte, suficientemente poderoso para orientar seu próprio curso. "

> > Financial Times Trump presidency: America First or America Alone?

É mais do que surreal pensar na similaridade entre Donald Trump e o estadista britânico do século XIX. O estilo de Palmerston não se encaixa socialmente na idade média, mas aqueles que lutam ver algum sentido na tempestade de tweets do presidente eleito dos EUA descrevem uma visão de mundo globalizada mas sem grande integração com o mundo real. Esqueça alianças históricas, após a entrada de Trump na próxima semana, a nação mais poderosa do mundo fará suas próprias regras. O que pode ser visto como priorizar a América também pode levar ao isolamento. 

Financial Times afirma que este é o plano. O atual sistema econômico global aberto foi concebido pelos EUA, mas Trump pretende fazer as suas próprias regras, começando com o repúdio da Trans-Pacífico, renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte com o México e Canadá, e a imposição de pesados impostos sobre as importações chinesas.

Esqueça, também, a nostalgia da velha ordem geopolítica, valores e democraia, diz o texto do Financial Times. Este presidente eleito está feliz em se aliar ao presidente russo Vladimir Putin contra o presidente Barack Obama. Trump também usou sua conta no Twitter para questionar quatro décadas de compromisso com Pequim desafiando a política da China em relação a Taiwan. Não espere consistência. Em uma tweet ele promete desengajamento dos EUA do caos violento no Oriente Médio e, no próximo, a criação de "zonas seguras" na Síria - uma política que ele mesmo já disse que levaria a uma terceira guerra mundial.

Aqueles que procuram um grande projeto ficarão decepcionados. Trump prefere lidar com o pensamento estratégico. O seu projeto "Make America Great Again" é uma confusão de instintos, preconceitos e impulsos. Entre os ingredientes: econômico, nacionalismo, antipatia ao "globalismo", hostilidade para com os imigrantes.