Pearl Harbor: como o inimigo derrotado se tornou aliado?

Nesta semana, o premiê japonês Shinzo Abe está em visita no Havaí, onde precisamente 75 atrás, em dezembro de 1941, o Japão realizou um ataque contra a base naval dos EUA.Espera-se que com essa visita Abe homenageie os mais de 2,5 mil americanos mortos em Pearl Harbor. 

Segundo analistas, a viagem do líder japonês era um passo esperado. Por seu turno, Barack Obama foi o primeiro presidente americano a visitar Hiroshima. Assim, os líderes dos dois países irão demonstrar a importância da aliança militar entre os dois países.

Em entrevista à Sputnik Japão, Igor Pshenichnikov, conselheiro do diretor do Instituto de Pesquisas Estratégicas junto do presidente da Rússia, contou como o inimigo se tornou aliado. Pshenichnikov explica que o bombardeio de Hiroshima e Nagasaki foi a "resposta americana à humilhação" que os EUA sofreram com ataque a Pearl Harbor: 

"Para Washington, Pearl Harbor se tornou justificação moral para usar armas nucleares. Mas seu uso tinha planos de longo prazo para os americanos: derrotar o Japão com base nas condições mais favoráveis para os EUA. A história mostrou qual foi o proveito de Washington: o domínio militar no Círculo da Ásia e Pacífico", ressalta o conselheiro. 

Após a capitulação do Japão, os EUA o "transformaram em porta-aviões inafundável" na confrontação com a URSS, opina. Pshenichnikov destaca que as 94 bases militares americanas no Japão são o maior contingente militar americano no Círculo Pacífico, tendo os americanos pleno direito de instalar lá quaisquer armas e as tropas que o Pentágono quiser. 

Mas, por seu turno, os EUA se comprometem em proteger o Japão de qualquer agressor. Contudo, Pshenichnikov chama atenção para um detalhe importante:

"O poder militar dos EUA concentrado no Japão se destina a defender os interesses do Japão apenas no papel do acordo. De fato, o poder militar dos americanos é dirigido contra a Rússia", assinala o conselheiro."No contexto da elaboração do conceito de 'ataque global imediato' pelos EUA, não há dúvidas que as bases americanas no Japão estarão envolvidas nesse jogo", frisa o conselheiro. 

Neste contexto, Pshenichnikov acha bem lógico o recente deslocamento dos sistemas de mísseis costeiros Bastion e Bal pela Rússia para as ilhas de Iturup e Kunashir. No entanto, o Japão compreende perfeitamente que na questão da presença do sistema de defesa antimíssil em terras japonesas Tóquio não é um parceiro de Washington com igualdade de direitos. E ele permanece nessa situação desde 1945.