Renzi acusa minoria de partido de querer 'derrubar' governo

Clima está tenso por causa de referendo de dezembro

O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, voltou a criticar a minoria de sua sigla, o Partido Democrático (PD), por não fazerem campanha para a aprovação da reforma constitucional, que será votada pela população em um referendo no dia 4 de dezembro.    

"Mais que nós avançamos, mais fica evidente que os líderes da frente do 'Não' usam o referendo do dia 4 de dezembro para tentar 'derrubar' o governo. Querem voltar a governar o país e perceberam que essa é a última chance", escreveu o premier na sua newsletter semanal.    

"Esse é o motivo de [Silvio] Berlusconi a [Massimo] D'Alema, de [Mario] Monti a [Ciriaco] De Mita, de [Lamberto] Dini a [Paolo] Cirino Pomicino, até a [Renato] Brunetta e [Beppe] Grillo e [Maurizio] Gasparri, estão todos juntos em uma frente única", disse o premier citando líderes de diversos partidos - incluindo políticos considerados referências do PD.    

Segundo o líder do governo italiano, se o referendo for rejeitado não "haverá mudança" na Itália. "A Itália não anda para frente seguindo aqueles que só sabem criticar os outros sem propor um alternativa. Essa é a razão de que dia após dia o referendo torna-se um 'derby' entre futuro e passado, entre esperança e nostalgia, entre quem quer mudar algo e quem não quer", escreveu ainda.    

A "briga" pública com dissidentes do partido começou a ficar mais intensa no fim de semana, quando um confronto em Florença contra Renzi chegou a deixar feridos. Ontem (6), o premier havia criticado os membros do Partido Democrático que "votaram seis vezes sim" quando a reforma tramitava na Câmara dos Deputados e que agora defendem o "não".    

A preocupação do primeiro-ministro tem fundamento, já que as pesquisas de opinião mostram que os italianos tendem, por uma vantagem mínima, votar não no dia 4 de dezembro.    

Entre outros pontos, como o fim das províncias e mudanças na função do presidente, a reforma acaba com a figura tradicional do Senado - reduzindo de 315 para 100 senadores -, fazendo com que as decisões mais importantes do país sejam decididas pela Câmara dos Deputados. Com isso, os senadores teriam um papel mais "regional" e não receberiam salário.    

A ideia é fazer com que os governos italianos tem maior tempo de comando e não sejam derrubados por manobras. Segundo um estudo, a Itália troca de governo a cada dois anos. 

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