'Japan Times': Japão aceita trabalhadores estrangeiros que não mencionem 'imigração'

Reportagem diz que país dobrou número de mão de obra de fora em apenas oito anos

Matéria publicada nesta sexta-feira (4) pelo The Japan Times conta que a mensagem do Japão é clara: não mencione a palavra "imigração" e seja muito bem-vindo para trabalhar sem nenhuma qualificação e apenas por tempo limitado. 

Segundo a reportagem o número de trabalhadores estrangeiros no Japão, embora ainda seja relativamente pequeno, quase dobrou nos últimos oito anos, e o partido do primeiro-ministro Shinzo Abe está considerando políticas para agilizar a chegada de mais pessoas de fora.

O diário afirma que o Japão permitirá que mais trabalhadores não qualificados entrem temporariamente, já que as empresas lutam para preencher vagas em um país com a taxa de desemprego mais baixa entre as nações do G-7. 

Abe deixou claro que a abertura da nação à imigração permanente para a mão de obra não qualificada não é uma opção, se referindo a um medo histórico entre os japoneses de que os estrangeiros causariam distúrbios sociais e podem influenciar na identidade nacional.

> > Japan quietly accepting foreign workers — just don’t call it immigration

"No Japão, a palavra" imigrante "não é usada na formulação de políticas", disse o ex-ministro da Economia Heizo Takenaka em uma entrevista. 

"O primeiro-ministro muitas vezes diz que não é imigração quando trabalhadores são convidados."

Uma pesquisa de mão de obra de 2015 descobriu que 83% dos gerentes de contratação japoneses tinham dificuldade em preencher empregos, em comparação com uma média global de 38%, aponta o Japan Times.

O jornal ressalta que o governo adotou uma abordagem mais acolhedora para os trabalhadores estrangeiros altamente qualificados, verdadeiros alvos de uma guerra global por talentos. Abe este ano prometeu criar para estes o caminho mais rápido do mundo para a residência permanente. Atualmente, uma pessoa se torna elegível para residência permanente depois de viver no Japão por 10 anos consecutivos.

Por outro lado, embora dependa de trabalhadores estrangeiros não qualificados em alguns setores, o Japão não tem nenhuma categoria de vistos para que eles possam entrar no país para trabalhar, não importa se forem residentes permanentes ou cidadãos. 

The Japan Times diz que muito pelo contrário, o país usa portas traseiras, como um programa de "treinamento", aparentemente destinado a treinar pessoas de países em desenvolvimento com habilidades que podem usar em casa, mas na prática é um sistema de trabalhadores que o Departamento de Estado dos EUA criticou como propenso a abusos, incluindo "Condições de trabalho forçado".

Ainda assim, o número de trabalhadores estrangeiros no Japão saltou de cerca de 486 mil em 2008 para quase 908 mil em 2015. Cerca de 190 mil trabalham no âmbito do programa de formação, finaliza o Japan Times.

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade.
Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.
Saiba mais