'Le Monde': Dossiê sobre o financiamento da Líbia a campanha de Sarkozy em 2007

Jornal francês teve acesso ao processo sobre rede de financiamento para presidência

Matéria publicada nesta quinta-feira (3) pelo Le Monde fala sobre a investigação de financiamento da campanha presidencial de Nicolas Sarkozy em 2007. Os juízes Serge Tournaire e Aude Buresi estão com este processo desde abril de 2013, tentando comprovar a doação ilegal oriunda da Líbia. 

Segundo a reportagem do Monde, após três anos e meio de extensas investigações, além de centenas de documentos apontarem a veracidade desta suspeita, eles destacam uma organização criada com a chegada de Nicolas Sarkozy no Ministério do Interior, em 2002, reforçada durante sua eleição em 2007, e que continuou atuando mesmo depois de sua derrota em 2012.

> > Le Monde Enquête sur le financement libyen : les soupçons qui pèsent sur les réseaux Sarkozy

O acúmulo de evidências e pistas

Juízes interrogaram desde ex-dignitários líbios até diplomatas franceses, funcionários e empresários que reforçam a suspeita sobre o financiamento por parte da Muammar Gaddafi, da Líbia. O embaixador da França para a Líbia entre janeiro de 2008 e fevereiro de 2011, François Gouyette, foi pego em uma conversa telefônica suspeita falando sobre a doação, mas a justiça só recebeu esta informação após 2011, quando se iniciou a revolução Líbia. Duas pessoas falaram sobre o assunto, sendo que uma falou de 5 milhões de euros, e o outro mencionou o valor de 50 milhões de euros. Os juízes não conseguiram cruzar seus depoimentos.

No final de setembro deste ano, o site Mediapart revelou a existência de livros de um ex-ministro confirmando a doação de US $ 6,5 milhões por parte dos líbios. 

Le Monde revela as notas exatas dos livros deste ex-clérigo encontrado morto nas águas do Danúbio, na Áustria em 29 de abril de 2012. Cinco anos antes, em 29 de Abril de 2007, ele pertencia a Bashir Saleh, chefe de Muammar Gaddafi e dizia: 

"Ao meio-dia almocei com El Baghdadi [primeiro-ministro] e Bashir Saleh Bashir. Bashir falou do envio de 1,5 milhões de euros para Sarkozy quando Saif [Al-Islam Gaddafi, filho do líder líbio] deu 3 milhões de euros. Mas eles foram informados de que o dinheiro não tinha chegado. Parece que os "caras" no caminho tiveram que dar 2 milhões a Abdullah Senussi [chefe dos serviços de inteligência líbios]. "

O papel central do intermediário Alexander Djouhri

Muito próximo de Nicolas Sarkozy, o empresário francês Alexandre Djouhri está no coração desta investigação, principalmente por conta de suas negociações com a Líbia. Os juízes suspeitam que esses acordos tenham beneficiado o financiamento da campanha de Nicolas Sarkozy.

Alexandre se tornou alvo da investigação após a compra de uma casa no sul da França, em Mougins (Alpes Marítimos), que foi vendida por um valor muito acima do mercado a Carteira líbio Africana de Investimento (LAP), liderada por seu amigo, Bashir Saleh. 

Três dias de revelações sobre o sistema de Sarkozy

Le Monde revela, em três publicações sucessivas, a existência de um vasto sistema penal, envolvendo altos funcionários ligados a Nicolas Sarkozy. Esta rede, dedicada à proteção do ex-chefe de Estado, é composto por policiais ou magistrados que permaneceram leais ao ex-presidente, mas também empresários, intermediários, diplomatas e até mesmo jornalistas. Uma estrutura informal está sendo deflagrada, graças a várias investigações criminais, lideradas pelo juiz Serge Tournaire, que apenas o Le Monde teve acesso.

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