Governo britânico critica decisão da Corte sobre 'Brexit'

Gabinete afirma estar 'contrariado' com julgamento

O governo britânico afirmou estar "contrariado" e "decidido a fazer o resultado do referendo ser respeitado" após a Corte Suprema decidir que é o Parlamento quem deve ativar a saída do país da União Europeia. 

Quem também se manifestou foi o líder do Partido pela Independência do Reino Unido (Ukip), Nigel Farage, que usou o Twitter para dizer que "eles não têm ideia do nível de raiva pública que eles estão provocando" ao "bloquear ou atrasar" a ativação do artigo 50 do Tratado de Lisboa. 

Corte decide que 'Brexit' deve ser votado por Parlamento

A Corte Suprema da Grã-Bretanha decidiu nesta quinta-feira (3) que o Parlamento precisa aprovar o pedido de saída do país da União Europeia e solicitar a ativação do Artigo 50 do Tratado de Lisboa - que define o início do processo de saída de um país do bloco. A informação é da Agência Ansa.

A decisão contraria o desejo da premier Theresa May, que sempre afirmou que não era necessária a passagem do projeto pelas mãos dos parlamentares britânicos. O governo deve recorrer da decisão.

Segundo o juiz que liderou a sessão, Lord John Thomas, "a regra mais fundamental da Constituição do Reino Unido é a de que o Parlamento é soberano". Os magistrados decidiram que, caso dessem poder apenas ao governo, estariam "sabotando" o poder dos parlamentares.

O processo foi iniciado após diversas ações serem impetradas na Justiça por grupos pró-UE. Especialistas consideram que essas ações visam a fazer uma transição mais "suave" com o "Brexit", mantendo mais laços com o bloco do que a premier iria fazer.

Com a decisão, é provável que o processo de saída - que May havia anunciado para o início do ano que vem - sofra atrasos ou até mesmo pare em caso de divergências. Apesar de ter maioria no Parlamento, o "Brexit" dividiu as opiniões dos parlamentares das mais diferentes vertentes e muitos governistas são contrários à saída.

O veredito também acaba atrapalhando o papel de liderança da premier perante a União Europeia, já que o processo deve durar até dois anos.

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