'WSJ': Eleições nos EUA influem pouco nas bolsas

Matéria publicada nesta segunda-feira (3) pelo jornal The Wall Street Journal conta que os investidores estão enganados se acreditam que o mercado acionário tem um desempenho diferente dependendo do partido que ocupar a Casa Branca, Republicano ou Democrata. Essa é a conclusão surpreendente de um estudo recente que analisou o impacto da filiação política do presidente no contexto de fatores monetários como a oscilação para cima ou para baixo de taxas de juros de curto prazo, usadas pelos “fundos federais”, ou as taxas de desconto — que são fixadas pelo Federal Reserve, o banco central americano.

Segundo a reportagem o mercado acionário, em média, tem um desempenho melhor quando os juros estão caindo do que quando eles estão subindo, revelou o estudo — e isso é verdade independentemente do partido político que está no poder. Em resumo: “não há diferença sistemática entre republicanos e democratas” em relação ao impacto que causam no mercado acionário, segundo Robert Johnson, principal autor desse novo estudo e presidente da Faculdade Americana de Serviços Financeiros. A taxa dos fundos federais é aquela que os bancos cobram entre si nos empréstimos overnight, enquanto a taxa de desconto é aquela cobrada pelo Fed quando ele empresta dinheiro para os bancos comerciais. Como regra geral, o Fed usa a taxa de desconto para sinalizar sua estratégia monetária de longo prazo e a taxa dos fundos federais para um aperto de curto prazo.

O Journal observa que o diferencial do estudo é que ele se concentra tanto em fatores monetários como políticos, segundo Johnson. Ele foi publicado em uma revista acadêmica, a “Managerial Finance”, e também é assinado por Scott Beyer, da Universidade de Wisconsin-Oshkosh, Luis Garcia-Feijoo, da Universidade Florida Atlantic, e Gerald Jensen, da Universidade Creighton. Se os investidores considerarem apenas uma variável política — o partido político do presidente —, eles “sempre votariam nos democratas”, disse Johnson em uma entrevista. Isso está em linha com o que vários estudos anteriores também verificaram: o retorno médio do mercado acionário durante governos democratas tem sido muito maior do que na gestão dos republicanos. Na verdade, essa correlação foi divulgada tão amplamente na imprensa financeira que hoje é praticamente senso comum entre muitos investidores.

O WSJ afirma que o estudo também confronta outra conclusão amplamente divulgada em estudos anteriores sobre política e ações — que um impasse político é bom para o mercado. Os pesquisadores descobriram que o oposto é que é verdadeiro: na verdade, um impasse é ruim para o mercado acionário. Estudos anteriores que verificaram o contrário não analisaram adequadamente o impasse político no contexto das condições monetárias. Mesmo assim, há um ponto na sabedoria popular sobre política e mercado de ações que sobreviveu à reanálise feita pelo estudo: a pronunciada tendência do mercado de ter um bom desempenho no terceiro ano do mandato presidencial. Isso é verdadeiro independentemente do partido do presidente que ocupa a Casa Branca, segundo Johnson. (Observe que essa tendência não será desencadeada até 2019.)

O jornal norte-americano indica que as descobertas do estudo não significam que não faz diferença quem ganhar as eleições de 8 de novembro. Há diferenças significativas entre as políticas econômicas defendidas por Hillary Clinton e Donald Trump e é totalmente plausível que o mercado acionário tenha um desempenho muito melhor com um conjunto de políticas do que com outro. Ao contrário, ressaltou Johnson, a implicação de seu estudo é que os investidores “deveriam ir para a cabine de votação e votar em quem apresentar a melhor política econômica”, não no partido político.

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