'Clarín': Cristina não é Dilma, ela foi derrotada na eleição presidencial

Reportagem fala que Kirchner tenta se espelhar na ex-presidente do Brasil e se vitimizar

Matéria publicada nesta quarta-feira (8) pelo Clarín conta que a insistência com que Cristina Kirchner pretende se refletir no espelho do Brasil é um sintoma consciente do seu poder minguante. O papel de vítima de uma perseguição judicial empalidece sob o olhar dos argentinos. 

O jornal argentino diz que para conferir isso bastam duas fotografias: aquela de abril, quando um grande grupo a acompanhou ao tribunal de Justiça para prestar depoimento perante o juiz Claudio Bonadio no processo sobre dólar futuro; a outra, de apenas duas semanas atrás, na Praça de Maio, onde alguns poucos militantes realizaram uma passeata de resistência contra Mauricio Macri com o lema “Cristina na liderança”.

Segundo a reportagem essa queda induz a ex-presidente a forçar associações com a crise do Brasil, que acaba de desembocar na remoção de Dilma Rousseff da presidência. E também a leva a imaginar a região sob o suposto perigo de um complô internacional. A esse respeito, Cristina disse que a “América Latina é um laboratório da extrema direita”. E comparou sua complicada situação judicial na Argentina com os motivos que provocaram a queda de Dilma no Brasil. 

Clarín afirma que isto não passa de outra tentativa de construção de um relato falso de Cristina. Não se vê na região nenhuma guinada à direita. O que parece estar se insinuando é o retrocesso de alguns governos que se mantiveram mais de uma década no poder.