'El País': "Orquestra" diplomática desafina na América do Sul

Oposição criticou postura do Uruguai com relação ao Brasil e sua interferência na crise

Matéria publicada pelo jornal El País de Montevidéu neste sábado (3) fala que a oposição teme uma deterioração das relações com o Brasil, considerando a "interferência" que causou a declaração de José Serra, chanceler do Brasil, na quinta-feira (1), refletindo nos assuntos internos do país e na política externa do governo da Frente Ampla. 

A reportagem conta que tudo começou na quinta-feira (1) quando o chanceler Rodolfo Nin Novoa pediu explicações sobre o impeachment de Dilma Rousseff. O deputado Daniel Penã do Partido Nacional abriu o debate. Ele disse que sentiu uma "consternação profunda" pela declaração do Ministério das Relações Exteriores, e que o governo estava cometendo "uma ingerência nos assuntos internos" do Brasil.

> > La "orquesta desafina" y "va de un lado para otro"

El País acrescenta que o Partido Independente, de Pablo Mieres, também citou sua "profunda preocupação" com a posição do Uruguai, que "não parece ter uma postura razoável." Mieres criticou o Ministério das Relações Exteriores e considerou o impeachment de Dilma uma "injustiça". "Tememos que por conta do impeachment aconteça um afastamento significativa na relação bilateral. A questão é se isso é apoiado pelo governo", disse. Mieres Nin Novoa também perguntou sobre a posição do ministro do Interior, Eduardo Bonomi, que chamou de "golpe" a destituição de Dilma. "O governo fala por seu ministério", disse o senador. "A sensação que se tem é que a música da orquestra do chanceler não está em sintonia com seu vizinho com quem temos grandes interesses comerciais", disse Mieres.

Para finalizar, o chanceler Nin Novoa fechou a sessão da comissão reconhecendo o governo de Temer. 

"Eu quero deixar registrado que o governo uruguaio considera legítimoo presidente do Brasil o Sr. Michel Temer, e quero deixar registrado que o processo de destituição da presidente Dilma Rousseff  seguiu o protocolo, as leis, mas eu quero gravar (...) que a lei muitas vezes não faz justiça ", disse Nin Novoa.

Ele acrescentou que espera "continuar a ter a mesma relação com seu vizinho Brasil, com quem compartilha de muitos interesses comerciais".