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'WSJ': Cameron sofre para convencer britânicos sobre vantagens de permanência na UE

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Matéria publicada nesta segunda-feira (6) no The Wall Street Journal, analisa que com duas semanas para a realização do referendo sobre a permanência ou não da Grã-Bretanha como membro da União Europeia, o primeiro-ministro David Cameron estava esperando que sua campanha para “permanecer na UE”, chamada de “Remain”, estivesse na dianteira. Mas isso não é o que está acontecendo. As semanas de alertas de autoridades independentes do Reino Unido, Europa e do mundo deveriam ter convencido os eleitores de que os riscos de sair do bloco são elevados demais em termos de perda de comércio, investimentos e empregos. Os defensores da permanência afirmam que estão confiantes que sua mensagem chegou a um número suficiente de eleitores para garantir a vitória. Ainda assim, pesquisas de opinião mostram um empate. Cameron está lutando para salvar por sua vida política.

O Journal questiona em seu texto: como isso ocorreu? Um dos motivos é que os holofotes se mantiveram firmes sobre a questão crítica da imigração depois da divulgação, este mês, de dados mostrando que 333 mil pessoas migraram para o Reino Unido no ano passado. O número está bem acima da meta anual existente do governo de menos de 100 mil, o que reforçou as preocupações sobre as regras da EU que dão a todo cidadão do bloco o direito de viver e trabalhar no Reino Unido. A alegação dos defensores da saída dos britânicos da UE de que ela permitiria que o Reino Unido “retome o controle” de suas fronteiras e corte drasticamente a imigração tem um apelo claro para muitos eleitores que temem que a imigração excessiva coloque uma pressão intolerável no tecido econômico e social do país.

Se a saída do Reino Unido da UE, que está sendo chamada de “Brexit”, vai realmente levar a uma queda na imigração é uma questão aberta: mais de metade dos imigrantes que chegaram recentemente é de fora da UE, e as evidências sugerem que os imigrantes da UE contribuíram positivamente para a economia e o sistema fiscal. Enquanto isso, o desemprego no Reino Unido está em apenas 5% e não há evidências suficientes de que a imigração na UE tenha deprimido os salários. A promessa da campanha em favor da saída de restringir a imigração total em menos de 100 mil pessoas ao ano poderia ser cumprida apenas com a retirada do Reino Unido do mercado comum da UE, o que todas as análises econômicas independentes sugerem que seria a consequência de um Brexit mais prejudicial do ponto de vista econômico.

O WSJ afirma que de qualquer forma, Cameron está vulnerável em relação à imigração em parte porque ele anteriormente prometeu e fracassou em reduzir o fluxo de migrantes para menos de 100 mil, e depois prometeu e fracassou em conseguir uma redução da imigração como parte de suas negociações com a UE antes do referendo.