'El País': Abertura ‘à la caribenha’

A economia cubana abre caminho à iniciativa privada, mas a um ritmo lento

Matéria publicada no El País neste sábado (9), analisa que em Cuba, reina um eufemismo. A palavra autônomo (trabalhadores por conta própria), um termo que é um esforço ideológico, a contorção semântica de um Estado que precisa se mover rapidamente em direção ao mercado, mas pretende fazê-lo sem desmontar seu esqueleto doutrinário. Ou, como diz Leticia Rodríguez, proprietária de uma pousada em Havana, abrindo a questão, "o autônomo é uma empresa privada à qual não chamamos de empresa privada porque o socialismo diz que não pode haver empresas privadas, que é, por exemplo, o que tenho agora".

Segundo a reportagem, trata-se de entender uma contradição. Cuba se move. Mas não se move com agilidade. Desde 17 de dezembro de 2014, quando o presidente dos EUA e o presidente cubano Raúl Castro anunciaram a normalização das relações entre os dois países, a ilha entrou na moda e transmite a aparência de uma metamorfose veloz. E é verdade. mas também não é.

O jornal espanhol destaca que o principal efeito tem sido a expansão do turismo. Um aumento de cerca de 17% em 2015 comparado a 2014, um recorde de visitantes: 3,5 milhões. Encontrar um quarto na lotada rede hoteleira de Havana se tornou um desafio. Pagar também, com taxas de 300 dólares (cerca de 1.000 reais) por noite nos hotéis sofisticados. No entanto, o autêntico impulso viria se o Congresso dos EUA retirasse a proibição que impede seus cidadãos de fazer turismo em Cuba. Se no ano passado, com as medidas de Obama para facilitar os intercâmbios culturais e de estudos — um truque para incentivar o turismo —, desembarcaram 161.000 norte-americanos, uma alta de 77%, a eliminação do veto abriria as comportas de forma mais ampla: "Estimamos que em um ou dois anos todas as restrições sejam eliminadas e cheguem mais de dois milhões de americanos por ano", prevê James Williams, presidente da Engage Cuba, um grupo lobista contra o controle comercial e financeiro.

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