'El País': Papa abre Igreja a divorciados que voltaram a se casar

Francisco diz em exortação apostólica que “ninguém pode ser condenado para sempre”

Matéria publicada nesta sexta-feira (8) pelo El País, conta que em sua exortação apostólica sobre a família, o papa Francisco se dirige aos divorciados que voltaram a se casar para lhes dizer que “não só não têm de se sentir excomungados, como também podem viver e evoluir como membros ativos da Igreja”, e afirma que “já não se pode dizer que todos os que se encontram em uma situação dita irregular vivem em pecado mortal”. 

Segundo a reportagem, para Jorge Mario Bergoglio, “ninguém pode ser condenado para sempre”. E acrescenta: “Não me refiro apenas aos divorciados que estão em nova união, mas a todos, em qualquer situação em que se encontrem”. O Papa pede ao clero que tenha uma visão mais ampla e misericórdia na hora de definir quem tem o direito ao sacramento: “É mesquinharia considerar apenas se a obra de uma pessoa responde ou não a uma normal ou lei geral. Lembro aos sacerdotes que o confessionário não deve ser uma sala de torturas, mas sim o lugar da misericórdia do Senhor”. 

O jornal espanhol fala que a exortação apostólica Amoris Laetitia, que tem 261 páginas na versão em espanhol, reúne e interpreta as considerações apresentadas pelos bispos durante o Sínodo da Família, mas –bem ao estilo de Francisco—deverá incomodar os setores mais intransigentes da Igreja. Como se já estivesse a ouvir antecipadamente couro dos descontentes, Bergoglio adverte: “Nenhum pastor pode se sentir satisfeito apenas aplicando leis morais aos que vivem em situações irregulares, como se fossem pedras atiradas sobre a vida das pessoas”. Ele chama esses pastores de “corações fechados”, que se escondem por trás dos ensinamentos da Igreja “para se sentar no trono de Moisés e julgar, às vezes com ar de superioridade e superficialidade, os casos difíceis e as famílias feridas”. 

O Papa convida a que se analisem as situações caso a caso, e adverte: “É possível que, em meio a uma situação objetiva de pecado, se possa viver na graça de Deus, se possa amar e também se possa acreditar na vida da graça e na caridade, recebendo, para isso, a ajuda da Igreja”. E acrescenta, embora apenas em pé de página apesar da importância da questão: “Em alguns casos, poderia ser também a ajuda dos sacramentos”.  

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