'Le Monde': Estado Islâmico recruta crianças para ataques suicidas no Afeganistão 

Menores de idade têm aulas práticas de tiro e arremesso de granada

Matéria publicada nesta sexta-feira(19) no Le Monde, conta que o braço do Estado Islâmico no Afeganistão está recrutando crianças para ataques suicidas e combater “as forças invasoras”, o governo afegão e os talibãs que se opõem à presença do EI no país. 

Segundo a reportagem, na província de Kunar há “muitos jihadistas guerrilheiros vindos da Arábia Saudita e da Europa” e combatentes entre 13 e 17 anos que afirmam não ter “medo de dar a vida pela causa” e ter sido treinados por estrangeiros. 

Segundo a informações da Al-Jazeera, a abordagem do Estado Islâmico em relação a menores de idade adota formas de doutrinação diretas: crianças a partir dos 5 anos têm aulas práticas de tiro e arremesso de granadas. Abdullah Gul, professor-militante do grupo afirma que a lei islâmica diz que é preciso ensinar às crianças habilidades essenciais: 

“Ensinamos e damos treinamento militar a elas para que estejam preparadas de corco e alma e estejam no caminho certo. Cada geração aprenderá e ensinará em troca”, disse Gul à emissora. 

Os integrantes do Estado Islâmico que estão no Afeganistão são afiliados ao Califado de Khorasan, termo criado pela al-Qaeda para se referir ao Leste do mundo muçulmano, que ocupa territórios do Paquistão, Afeganistão e Irã. 

“Graças a Deus, o Califado chegou a esta região por fim e abandonamos os talibãs para nos unir à jihad que luta para estabelecer o Califado de Khorasan”, disse o comandante Abu Rashid, um dos líderes do EI no Afeganistão, à Al-Jazeera. 

Os militantes do Califado têm lutado contra o Talibã para conquistar o controle da região, principalmente das regiões de Kunar, Faryab, Nangarhar e Badakhshan, no nordeste do país. Segundo a AlJazeera, enquanto os objetivos do Talibã permanecem dentro dos limites geográficos do Afeganistão, a intenção do Estado Islâmico vai além das fronteiras afegãs.

 “Não estamos de acordo com os irmãos talibãs, que nos rejeitam porque consideram que nossa presença não é necessária. Nós lutamos pelo Califado de Khorasan”, defendeu Mowlawi Samad, ex comandante talibã e agora integrante do EI em Kunar. 

As campanhas de recrutamento do EI no Afeganistão, junto à resistência dos talibãs, aparecem como um novo problema para o governo do presidente Ashraf Ghani. Dissidentes do Talibã se separaram do grupo em oposição ao líder mulár Mansur para formar o Conselho Superior do Emirado Islâmico, sob comando do mulá Mohammad Rasool Akhund.