'NYT': Como Merkel conseguirá fazer a coisa certa?

Nenhuma das fronteiras europeias sem Schengen

Matéria publicada nesta terça-feira (16) no The New York Times, comenta que o ex-chanceler alemão, Gerhard Schröder, recentemente condenou a decisão de Angela Merkel de abrir a porta para um número ilimitado de refugiados e descreveu da seguinte forma: " Com coração, mas nenhum plano".

Este ponto de vista do amado líder alemão, está a ganhando terreno. As autoridades locais estão tensas com a quantidade de refugiados e a falta de estrutura e controle para recebe-los. Milhares de euros já foram gastos para tentar melhor este quadro. Muitas pessoas pedindo esmolas pelas ruas, sem nenhuma documentação ou registro e assim aumentam as preocupações com a segurança do povo alemão. Colônia se tornou sinônimo de preocupação sobre a forma como um grande afluxo de homens muçulmanos pode afetar a segurança das mulheres na sociedade alemã.

Três eleições estaduais importantes acontecerão no próximo mês. Parece inevitável a alternativa de extrema-direita para a Alemanha. De uma forma ou de outra, Merkel será responsabilizada. O apoio a chanceler já caiu. Uma pesquisa neste mês indicou que 46 por cento dos alemães ainda a apoiam, em comparação com 75 por cento em abril do ano passado. Ela pode ficar vulnerável se perder o apoio do seu Partido Democrata Cristão e a Europa sem Merkel vai afundar.

Então, porque ela continua teimando com decisões impopulares? Porque ela é alemã, e ser alemão é realizar uma responsabilidade especial para aqueles que estão aterrorizados em sua terra natal e são forçados a fugir. Porque ela viveu em um país, a Alemanha Oriental, que expulsava pessoas que tentavam atravessar a fronteira. Porque a Alemanha representa uma Europa unida desde a escuridão, até a luz da prosperidade, e ela não vai abandonar o jogo, não importa o tamanho do caos que esteja estabelecido na União Europeia. E, sim, porque ela tem um coração.

Merkel fez a coisa certa. A questão agora é como ela lida com as consequências. Gestão envolve a definição de limites. Depois de aceitar mais de um milhão de refugiados no ano passado, a Alemanha não pode permitir que esse número se repita em 2016. Como presidente da Alemanha, Joachim Gauck, disse recentemente: "A estratégia de limitação pode mesmo ser moral e politicamente necessária a fim de preservar a capacidade do Estado para funcionar. Ele acrescentou:" Se os democratas se recusam a falar sobre  limites, eles deixam o campo livre para populistas e xenófobos ".

Mas a fixação de limites não é apenas uma questão alemã. É uma questão Síria. É uma questão turca. É uma questão russa. É um problema americano. É uma questão europeia. Merkel precisa que Europa tenha fronteiras externas em funcionamento, e que se mantenha sem fronteiras dentro da zona Schengen. Caso contrário, as fronteiras nacionais vão subir, ou seja, aumentar rigidamente seu controle. A União Europeia vai acabar.