Vaticano interroga banqueiro por irregularidades

Gianpietro Nattino foi denunciado por relatório da entidade

A Promotoria de Justiça do Vaticano interrogou nesta quarta-feira (04) o banqueiro Gianpietro Nattino, presidente da Banca Finnat Euroamerica, por operações de compra e venda de títulos e demais transações no órgão. O porta-voz da entidade, padre Federico Lombardi, confirmou que a investigação começou após um relatório da Autoridade de Informações Financeiras (AIF) e informou ainda que já foi solicitada a colaboração das autoridades da Itália e da Suíça sobre o caso. Segundo a o jornal "La Repubblica", ele foi responsável por promover o crime de lavagem de dinheiro na Santa Sé entre os anos de 2000 e 2011. O processo acontecia utilizando a Administração do Patrimônio da Sede Apostólica (Apsa), a qual recebeu novo status do papa Francisco a partir de 2013, sendo um verdadeiro Banco Central da Santa Sé. A entidade é responsável por todo o dinheiro utilizado para manter o Vaticano e para pagar os salários de todos os funcionários do Estado.

    Antes de ter a investigação confirmada, Nattino se defendeu em nota para a imprensa italiana e afirmou que "está sereno e confiante" porque trabalhou "sempre com transparência e correção". A defesa do presidente da Finnat foi uma resposta a uma matéria da agência de notícias Reuters que acusava o banqueiro de ter usado a Apsa como um "local de lavagem de dinheiro".

    O relatório financeiro, que tem 33 páginas, suspeita que o departamento tenha sido utilizado por pessoas alheias ao Vaticano - e com uma eventual cumplicidade da própria Apsa - para violar os regulamentos internos vigentes na época. O documento teria apontado, ainda de acordo com a publicação, um desvio de "mais de 2 milhões de euros" que teria sido transferido para a Suíça antes das novas regras impostas por Francisco para a Apsa. A reforma promovida pelo atual Pontífice tem como objetivo deixar transparentes os gastos e investimentos da cidade-Estado - que já foi abalada por diversas denúncias de desvios e de uso indevido de dinheiro.

    A mais grave delas foi relacionada ao Instituto para as Obras da Religião (IOR), conhecido como Banco do Vaticano. Também por denúncias da AIF, a entidade vê seu ex-presidente Angelo Caloia e o ex-diretor-geral Lelio Scaletti serem investigados por suspeita de peculato em operações imobiliárias ocorridas entre 2001 e 2008.

    Esse é o segundo escândalo que estoura no Vaticano em menos de uma semana. Na última segunda-feira (02), a entidade anunciou que o padre espanhol Lucio Angel Vallejo Balda e a laica Francesca Immacolata Chaouqui foram detidos por terem vazado informações sigilosas de outro órgão da instituição, a Comissão de Estudos sobre as Atividades Econômicas (Cosea). O grupo foi formado pelo próprio Jorge Mario Bergoglio, em julho de 2013, para monitorar as contas da Igreja Católica.