EUA afirmam que vão continuar manobras no Mar da China Meridional

O exército americano continuará com suas manobras no mar da China Meridional em qualquer lugar que tenha direito, afirmou nesta terça-feira (3/11) o almirante Harry Harris, pouco depois da passagem de um navio de guerra dos Estados Unidos perto de do arquipélago artificial de Spratly reclamada pela China.

"Nosso exército continuará voando, navegando e operando onde quer que o direito internacional nos autorize. O Mar da China meridional não [é nem será uma exceção", declarou, falando em Pequim.

As recentes manobras americanos no arquipélago das Spratly provocaram protestos da China, que denunciou uma ameaça para seus interesses em termos de segurança.

Em 27 de outubro, um destróier da Marinha dos Estados Unidos navegou a menos de 12 milhas náuticas das ilhas artificiais que os chineses estão construindo no Mar da China meridional.

O governo chinês, que considera a defesa destas ilhas uma das prioridades da sua política militar, tentou estabelecer exatamente quando o navio americano invadiu o que considera suas águas territoriais. "Se é verdade, aconselhamos os EUA a pensar duas vezes antes de agir", disse o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, durante um seminário em Pequim. Wang pediu para Washington "não agir de forma imprudente e não criar problemas a partir do nada".

A China considera como águas territoriais a área de 12 milhas náuticas em torno destas ilhas, construídas sobre ilhotes que emergem às vezes do arquipélago de Spratly.

Washington nega esta reivindicação por considerar que trata-se de um fato consumado e que a China não tem o direito de impor sua soberania sobre essa região estratégica.

As "Spratly" são reivindicadas por Vietnã, Filipinas, Malásia e Brunei.

A ação foi um dos maiores desafios de Washington para o crescente expansionismo chinês na área.

A Casa Branca por intermédio do Departamento de Estado defendeu o direito de os EUA a agir. "Não temos que consultar qualquer nação quando se está exercendo o seu direito à liberdade de navegação em águas internacionais", disse o porta-voz do Departamento de Estado, John Kirby, em coletiva de imprensa.

Pequim mantém disputas territoriais com seus vizinhos asiáticos no Mar da China meridional. O gigante asiático reivindica sua soberania sobre quase todo este território, no qual há um ano constrói enormes aterros que estão acelerando a transformação de recifes de corais em portos e diversas infraestruturas.

Os Estados Unidos e outros países do sudeste asiático temem um golpe de força da China para assegurar o controle de uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta.