'The Hill': Portugal é a nova Grécia?

Matéria publicada no jornal The Hill, dia 30 de outubro, por Desmond Lachman, diz que quem pensa que a crise da dívida da Europa foi resolvida deve dar uma olhada mais de perto em Portugal. Aumentam os sinais de disfuncionalidade do país, na área da política, juntamente com seus níveis extraordinariamente elevados de dívida, o que sugerem que é apenas uma questão de tempo para os mercados voltarem sua atenção aos fundamentos políticos e econômicos instáveis de Portugal.

A reportagem do jornal de Washington fala que a indecisa eleição de Portugal no início deste mês confirmou a continuação da deterioração política que está preocupando toda a periferia europeia, que nos últimos anos movimentou apoio eleitoral cada vez menor aos partidos políticos em favor de reformas econômicas estruturais. Uma indicação da deterioração é que o governante do partido Portugal á Frente, que na eleição anterior ganhou  com 52 % dos votos, agora só conseguiu ganhar com 38 % dos votos. Enquanto isso, os partidos de esquerda, que se opõem à austeridade orçamental e ás reformas estruturais, ganharam ao todo 62 % dos votos. Na esteira da recente eleição de Portugal, o país agora sofre um prolongado período de incerteza política. O Partido Socialista, de António Costa, deixou claro que não vai cooperar com o governo minoritário do partido Portugal á Frente, autorizado pelo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho.

Pela constituição de Portugal, novas eleições não podem ser realizadas antes de junho de 2016. Isso significa que o país enfrenta agora, pelo menos, nove meses de paralisia política, o que claramente não representa uma boa perspectiva para qualquer país. No entanto, é uma previsão particularmente pobre para um país como Portugal, que tem um nível de dívida extraordinariamente alto num momento em que sua economia apresenta pouco dinamismo e agora está flertando com deflação de preços. Mais preocupante ainda, é a dívida pública e privada acumulada em cerca de 370 % do valor de seu PIB.