Padre afastado após assumir homossexualidade diz que a Igreja é homofóbica

Após ter declarado sua homossexualidade, o padre polonês Kryzstof Charamsa disse que viveu o “pesadelo da homofobia” da Igreja Católica. Na última semana, o monsenhor assumiu ser homossexual e disse viver uma relação com outro homem. O anúncio do padre causou uma enorme confusão no Vaticano, que acabou afastando-o de suas funções.

“Admito que foi um gesto dramático, quase de desespero diante de uma igreja que considero homofóbica, cheia de medo e ódio”, refletiu Charamsa a respeito da situação que viveu nos últimos dias.

Além de ser afastado de suas funções na Igreja, o padre e teólogo também teve que deixar seus cargos em universidades pontifícias.

Em uma recente entrevista concedida à BBC Brasil, Kryzstof Charamsa declarou que apesar de ter sido desligado da Igreja, ele tem recebido muitas mensagem de apoio e gratidão, e disse que considera a instituição católica homofóbica.

“Porque (a Igreja) ainda não é capaz de encarar a realidade, não deu o passo que a medicina e as leis foram capazes de dar. Não há nada o que curar não homossexualidade, não é um delito ser homossexual”.

O padre diz ter tomado à decisão de declarar sua orientação sexual às vésperas do Sínodo dos Bispos para chamar atenção aos diferentes tipos de família que devem coexistir no mundo.

“Eu queria chamar a atenção da minha igreja que um sínodo que quer falar de família não pode excluir nenhum modelo familiar. Homossexuais, lésbicas e transexuais têm direito ao amor e a constituir famílias. Mas até agora o assunto foi marginalizado e estigmatizado”.

“A Igreja é uma autoridade mundial e em países latino-americanos sua influência é muito forte, mas pode ser fonte de profundo sofrimento. A igreja tem a ideia falsa de que homossexuais não podem formar uma família. Acredita que só buscam sexo. Isso é horrível. Não somo maníacos que buscam prazer sexual, somos seres humanos que buscam amor.” Encerrou o padre.

*Por Stefano Miranda