Sírios que fogem da guerra são levados a embarcarem em barcos precários para atravessar o mar Mediterrâneo. Eles se aglomeram em trens e escalam montanhas. Eles correm o risco de detenção, deportação, e afogamento.
Há uma evidência cada vez maior de que as pessoas morrendo para alcançar as costas da Europa estão fugindo não só da guerra, mas da opressão em outros países do Oriente Médio, escreve Jared Malsin, da Time Magazine, em artigo publicado nesta terça-feira (08/09).
Enquanto a pressão aumenta sobre líderes europeus para que resolvam a crise de refugiados, críticos também estão perguntando por que os governos do Oriente Médio não fizeram mais para ajudar os quatro milhões de sírios que representam um dos maiores movimento de massa de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial. Muito foi focado em países relativamente ricos ao longo do Golfo Pérsico. De acordo com um relatório da Anistia Internacional, os seis países do Conselho de Cooperação do Golfo ofereceram zero abertura formal para reassentar os sírios por volta do final de 2014.
Grupos de defesa dos direitos apontam que esses países — Bahrain, Kuwait, Omã, Qatar, Arábia Saudita, e os Emirados Árabes Unidos (EAU) — com riquezas arrecadadas através do petróleo, gás, e finanças, somados possuem muito mais recursos do que os dois países árabes que acolheram a maioria dos sírios: Jordânia e Líbano. Os países do Golfo são de lingual árabe, possuem laços históricos com a Síria e alguns estão envolvidos na atual crise através de seus apoios a grupos insurgentes.
A lógica por trás das políticas de refugiados do Golfo é complexa. Em países menores do Golfo como o Qatar e os EAU, os estrangeiros já superam em muito o número de nativos, um equilíbrio demográfico que, para alguns, alimenta sentimentos de ansiedade misturados com a xenofobia. Nos EAU, estrangeiros superam os cidadãos locais em mais do que cinco para um.
Em outras regiões do Oriente Médio, sírios que fogem do massacre em seus países costumam enfrentar a um cenário sombrio com poucas oportunidades para trabalhar, frequentar escolas, se reunir com suas famílias, e começar novas vidas plenas.
O Líbano aceitou mais de 1,1 milhões sírios, o maior número do que qualquer Estado Islâmico (Turquia aceitou aproximadamente dois milhões). Isso significa que pelo menos uma em cinco pessoas no Líbano é um refugiado sírio. O Líbano proíbe a construção de campos de refugiados formais. Como resultado, mais de 40% dos refugiados no Líbano vivem em abrigos improvisados incluindo “garagens, estaleiros, dependências de um quarto, casas inacabadas,” de acordo com dados das Nações Unidas citados pela Anistia Internacional. Muitos sírios dependem de agências humanitárias cujos recursos são limitados.
No Egito, a repressão do estado faz parte do que está obrigando os sírios a se arriscarem no mar até a Europa. Após a derrubada do presidente eleito Mohamed Morsi pelos militares em 2013, o Egito pediram para que os sírios se candidatassem para obter vistos. O governo islâmico de Morsi simpatizava com a causa rebelde na Síria, mas o novo regime apoiado pelos militares é menos simpático aos imigrantes e muitos foram deportados. Coincidindo com um recrudescimento do nacionalismo egípcio, sírios dizem terem sido despedidos de seus empregos, presos pela polícia, e perseguidos por proprietários de terras.
Dentro da Síria, o derramamento de sangue continua, levando cada vez mais sírios a fugir para o desconhecido. Como resultado desse massacre, diz Qadi, a maioria dos sírios está enfrentando uma decisão de ficar ou fugir. Essa é a fonte do que agora é compreendido na Europa como uma crise de refugiados. “A bomba está vindo, e vai destruir esta casa, e meus filhos vão morrer," diz ele. “Vou assumir outro risco ao tentar fugir antes que a bomba caia? E partir para o desconhecido? Eu acho que a maioria dos sírios está fazendo essa difícil escolha."