'El País': A sexta trégua das Farc

Guerrilla iniciou na segunda-feira um novo cessar-fogo unilateral

A guerrilha iniciou nesta segunda-feira (20/07), dia em que se celebra a festa nacional da Colômbia, uma nova trégua unilateral, a sexta desde que começaram os diálogos de paz em Havana há quase três anos. É o que diz um artigo de Elizabeth Reyes, do jornal espanhol El País, publicada nesta quarta-feira (22/07)

O Secretariado das Farc, a máxima instância dessa organização, ordenou a seus homens que cessem qualquer ação contra as Forças Armadas e a infraestrutura, como uma forma para começar a diminuir a intensidade do conflito armado e acelerar um cessar-fogo bilateral e definitivo. No entanto, não há clareza sobre a duração. Ainda que as Farc tenham falado de um mês, o presidente Juan Manuel Santos disse que se estenderia a quatro, que é o tempo que colocou como limite para tomar uma decisão sobre se o processo continua ou não.

Para o mandatário tudo dependerá de se a guerrilha cumprir com sua trégua e se vai se avançar no espinhoso tema de qual tipo de justiça será aplicada aos maiores responsáveis pelos delitos cometidos relativos ao conflito. Ainda assim, o grupo subversivo advertiu que seus homens vão se defender se forem atacados. “Nenhuma unidade das Farc é obrigada a se deixar agredida por forças inimigas e terá todo o direito ao exercício de sua legítima defesa”, diz um comunicado divulgado horas antes do início da trégua.

Esse é exatamente um dos riscos que tem o cessar unilateral da guerrilha. A trégua anterior, a primeira de caráter indefinido que declarava a guerrilha em toda sua história, terminou se rompendo aos cinco meses quando mataram 10 soldados enquanto dormiam em um centro desportivo no departamento de Cauca, o que por sua vez provocou a retomada dos bombardeios sobre acampamentos de guerrilheiros. Como uma bola de neve, as Farc intensificaram seus ataques que tem afetado principalmente a população civil e deteriorando o apoio, já exíguo, ao processo de paz.

Desde o dia 22 de maio, quando as Farc suspenderam sua quinta trégua, foram registrados ataques quase diários, em sua maioria à infraestrutura elétrica e petroleira. Segundo o Centro de Recursos para a Análise de Conflitos, o Cerac, até a última sexta-feira teve 145 ações violentas que são atribuídas à guerrilha, que deixaram 24 mortos, entre os quais dois civis. Junho se tornou o mês mais violento desde que se iniciaram os diálogos de paz.

A Defensoria del Pueblo registrou por sua vez 64 ações das Farc com graves consequências para a população civil, em especial no sul do país. Este organismo tem em seu currículo, o recrutamento de jovens, a instalação de minas terrestres, atentados com explosivos em vias de transporte, ônibus incinerados, torres de energia e trechos de oleodutos dinamitados, perseguições que provocaram deslocamentos massivos e derramamento de petróleo que era transportado em caminhões.

Por isso, a nova ordem das FARC de suspender as ações violentas ha sido recebida com alívio, já que tem sido evidente, nas últimas tréguas, o efeito positivo sobre a diminuição da violência. Mas também ronda a cautela, porque não foram cumpridos cem por cento.

Como ha sucedido em outras ocasiões, as FARC não pararam de atacar até o último momento, ainda que também fizeram um gesto humanitário ao liberar ao subtenente do exército Cristian Esteban Moscoso, que durou 13 dias em seu poder, logo de que tratasse de evitar um novo derramamento de petróleo na fronteira com o Equador.