'Le Monde': Após caso de espionagem dos EUA, Hollande pede unidade

O presidente francês criticou nesta quarta-feira (24/06) os métodos e comportamento de serviços de inteligência norte-americanos, dizendo que não são «nem nossos valores, nem nossos métodos» aos parlamentares recebidos no Palácio do Eliseu, segundo matéria do jornal Le Monde.
 O chefe de Estado havia decidido receber em caráter de urgência uma delegação de parlamentares, inclusive os presidentes das duas assembléias, Gérard Larcher e Claude Bartolone, depois das revelações de Mediapart e do jornal Libération sobre a espionagem de três presidentes franceses, entre os quais ele próprio, pelos serviços de inteligência americanos. 

“Inaceitável!“ lembrou o presidente, tanto na introdução quanto na conclusão dessa reunião que depois de um conselho de defesa dedicou a esse dossiê e um conselho dos ministros, «a necessidade de condenar essas práticas”, utilizando mais uma vez as palavras usadas no comunicado de imprensa divulgado pelo Eliseu. O chefe de estado elogiou o consenso multi-partidário que se manifestou sobre o tema. Ele próprio alvo da espionagem americana, como Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy havia há semanas preconizado uma estratégia de oposição frontal e radical sobre todos os assuntos, inclusive os menos polêmicos, como a lei de programação militar (LPM). Mas o ex-presidente, assim como sua equipe, estava nesta quarta-feira em sintonia com seu sucessor.

«É preciso unidade e convergência em torno o tema, além das polarizações políticas », exortou Hollande, que especificou que levantaria o assunto no conselho europeu, na quinta-feira em Bruxelas, mas também diretamente com Barack Obama, nos próximos dias. “O que podemos pedir a um país amigo, é a garantia de que essas práticas não continuem”, reafirmou o presidente, que já havia recebido essa promessa de seu homólogo americano na ocasião de sua viagem oficial a Washington, em fevereiro de 2014. Hollande deseja no entanto evitar qualquer manifestação de ingenuidade: «Nada é mais importante do que a proteção de nossos interesses », enfatizou, insistindo então na necessidade de « ao estar em estado de espírito sobre o assunto” e especificando que a cooperação entre serviços de inteligência franceses e americanos iriam “prosseguir”.