Partido Socialista espanhol se aproxima da esquerda radical

Em meio à crise do bipartidarismo, PSOE flerta com populista Podemos para derrotar PP de Rajoy

Nos últimos anos, os partidos tradicionais da Espanha, o conservador PP (Partido Popular) e o PSOE (Partido Socialista Obrero), foram seriamente abalados por escândalos de corrupção, tanto na esfera municipal e regional. A “Operação Púnica” prendeu vários políticos (principalmente do PP, e também do PSOE) além de empresários. 

As conseqüências na sociedade, já insatisfeita com o desemprego, foram imediatas. As manifestações dos "indignados" em 2011 questionavam os partidos políticos tradicionais e reivindicavam uma democracia mais participativa.

Os protestos geraram movimentos populares radicais, como o Movimiento 15-M e a PAH (Plataforma de Afectados por la Hipoteca) que resultaram num dos maiores fenômenos políticos recentes: o crescimento do Podemos, de Pablo Iglesias. 

Isso pode se explicar pela crise de representatividade, que se somou à crise econômica, acentuada enormemente com o colapso financeiro internacional de 2008. Esse cenário costuma ser propício à ascensão do populismo. E é o que está acontecendo na Espanha. 

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, se apresenta à reeleição e seu programa mais importante é a campanha para diminuir os impostos. O jornal La Razón noticiou que “a redução do IVA (Impuesto al valor agregado) é uma das opções que ganha mais apoio dentro do Executivo, um movimento que se somaria ao que foi efetuado na reforma fiscal (IRPF e Sociedades)". É a única forma que o PP ainda tem para conquistar o voto de alguns conservadores, que diminuem cada vez mais em toda a Europa.

Enquanto isso, buscando sua sobrevivência nas eleições de novembro - o Partido Socialista Obrero - que equivaleria ao que foi o PSDB no Brasil - dá sinais de desespero no intuito de derrotar o partido governante.

Hoje, o PSOE seguindo uma política pragmática, está ligado à ultra-esquerda, dando as cadeiras necessárias para que a nova prefeita de Madri, Manuela Carmena do ‘Ahora Madrid’, possa governar. O mesmo acontece em Barcelona, que elegeu Ada Colau da coalizão 'Barcelona en Comú', como nova prefeita. Colau chegou a ser presa em 2013, quando participava da ocupação de uma sede de banco na capital catalã.

De olho no voto mais jovem, o deputado socialista e candidato à Secretaria-Geral do PSOE, Pedro Sánchez, propôs "avançar para uma grande aliança de gerações" de militantes para configurar uma direção forte no partido. Ele tem se posicionado contra em eventual pacto entre o PSOE e o PP, ao considerar "contra natura" uma aliança desse tipo.

O PSOE vai se aliar também nas eleições do parlamento, de novembro, com a ultra-esquerda. O candidato do Podemos, Pablo Iglesias, será apoiado pelos socialistas. Diante de todo esse cenário, tudo indica que o risco da Espanha mergulhar numa aventura populista é real.