FAO afirma que é possível chegar a 'fome zero' no mundo

Houve grande redução no número de pessoas que passam fome

 A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês) anunciou que houve uma redução de 216 milhões de pessoas que passam fome no mundo e que é possível erradicar o problema. Atualmente, 795 milhões vivem em condições de insegurança alimentar, um número 10,4% menor do que o registrado entre 1990-1992. As informações constam no relatório SOFI 2015, publicado em uma parceria entre a FAO, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA).

    Segundo as entidades, 72 dos 129 países analisados conseguiram atingir os Objetivos do Milênio (ODM), assinados em 2000, que determinavam como meta reduzir pela metade o número de pessoas que vivem nessa situação. O Brasil está entre aqueles que atingiram a medida.

    "Esse resultado de quase ter alcançado as metas sobre a fome dos ODM nos mostra que podemos realmente eliminar o flagelo da fome do curso de nossas vidas. Vamos ser a geração do Fome Zero. Esse objetivo deve fazer parte das intervenções políticas e estar no centro da nova agenda de desenvolvimento sustentável que será estabelecido esse ano", afirmou o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva.

    Apesar do otimismo, o documento ressalta que, nos últimos anos, as dificuldades econômicas encontradas em todo o mundo têm dificultado a redução dos problemas com segurança alimentar.

    Segundo o relatório, 24 países africanos enfrentam crises na alimentação, "o dobro de 1990". Isso é causado pelos "fenômenos climáticos externos, desastres naturais, instabilidade políticas e conflitos civis" nessas regiões.

    A África subsaariana continua sendo a região do mundo que tem o mais alto nível de fome: uma em cada quatro pessoas está nessa condição. Já a América Latina e o Caribe receberam elogios da FAO tanto no número de pessoas famintas (queda de 14,7% para 5,5%) e na quantidade de crianças com menos de cinco anos nessa situação (queda de 7% para 2,7%).

    A Ásia oriental e o sudeste da região foram elogiados também, por terem alcançado uma rápida redução nos índices. Já no sul asiático o número de pessoas famintas teve uma leve redução e não acompanhou o ritmo de desenvolvimento das outras duas regiões. - Relatório elogia o Brasil O Brasil está entre os países que conseguiram alcançar plenamente as metas estipuladas para a redução de metade - ou mais - da fome no país, que havia sido estipulada até 2015.

    Atualmente, o número de pessoas que passam fome está abaixo de 5% no território brasileiro.

    O relatório voltou a elogiar algumas medidas desenvolvidas pelo governo brasileiro nos últimos anos, que ajudaram o país a atingir as metas estipuladas pela FAO. Entre os pontos citados, está a inclusão das mulheres no mercado de trabalho e os programas sociais "Fome Zero" e "Bolsa Família".

    "Com a proteção social, é possível estabelecer um círculo virtuoso de progresso que inclui os pobres graças aos maiores benefícios, empregos e salários. O Bolsa Família alcançou quase um quarto da população, mulheres em sua maioria, transferindo mais de US$ 100 para cada família sempre e enquanto mandarem suas crianças para a escola", destaca o documento.

    Citando o "crescimento anual de 3% desde 2000", a FAO ressalta que esses programas sociais "reduziram a desigualdade de renda de forma significativa: entre 2000 e 2012, a renda do quintil mais pobre da população cresceu três vezes mais rápido do que os 20% mais ricos". (ANSA)