'Clarín': O Mercosul agoniza, mas o Parlasul envergonha

O Uruguai anunciou recentemente um aparente 'consenso' entre os países do Mercosul para possibilitar acordos comerciais por fora do bloco regional, ainda que tenha reconhecido ‘dificuldades em alguns integrantes’. A alusão foi direcionada para Argentina e Venezuela, países com interesses comerciais que há tempos se contrapõem aos do Uruguai e do Brasil, diz um artigo de Patricio Giusto, publicado nesta quarta-feira (20/05) no jornal argentino Clarín

O Uruguai insiste em se desmarcar das amarras regulamentárias do Mercosul para obter acordos de livre comércio com a União Europeia e os Estados Unidos. Com maior prudência diplomática, o Brasil tem advogado nesse mesmo sentido. E o Paraguai voltou a se mostrar alinhado com a postura uruguaia. Por diversos fatores conjunturais, Argentina e Venezuela decidiram apostar na Rússia e na China.

Não há dúvidas de que o Mercosul agoniza. A anos luz de ser um bloco político no estilo da União Europeia, como sonharam seus pioneiros, assim que chegou a ser uma união aduaneira com enormes imperfeições e disfuncionalidades.

Hoje o Mercosul segue um caminho direto para a paralisia, ofuscado na política por outros blocos políticos regionais, como a Unasul.

Neste contexto, muito pouco alentador para o futuro do Mercosul, nosso país realizará uma insólita eleição de membros para o inexistente Parlasul. O parlamento regional é uma instituição em vias de formação. Trata-se ainda de uma quimera que começaria a funcionar em 2020, depois de vários adiamentos.

Apesar dessa circunstância, a Argentina elegerá este ano os 43 membros que lhe cabem, com mandatos de quatro anos. O projeto foi aprovado em dezembro, promovido pelo kirchnerismo e seus aliados. A maioria do arco opositor votou contra, enquanto que a Frente Renovadora se absteve. A normativa outorga aos eleitos imunidade de outros privilégios. O cômodo refúgio montevideano do fictício Parlasul é uma oportunidade insuperável para funcionários encurralados judicialmente.

O atrativo de cobrar sem trabalhar, com foros garantidos durante quase uma década, se mostra irresistível para muitos políticos que por estas horas competem para entrar nas listas… Um deles será a Presidenta?

Desta maneira, com o estado de debilidade do Mercosul como tela de fundo, a eleição de membros do Parlasul se apresenta como uma das cenas mais patéticas e vergonhosas da história argentina, inscrita na já endêmica loucura dos políticos pelos cargos, os privilégios e os foros.