‘El País’ (editorial): Pragmatismo em Atenas

Vitória do Syriza e sua aliança de governo expõem o auge dos nacionalismos europeus.

O jornal espanhol El País publicou nesta terça-feira um editorial sobre as mudanças que podem ocorrer na Europa após o triunfo nas urnas do Syriza, partido radical de esquerda. “Só cabe celebrar a rapidez com a que a Grécia conseguiu um acordo de governo depois da vitória do Syriza. Alexis Tsipras chegou perto da maioria absoluta. Uma demora na formação do Executivo em Atenas poderia ter acrescentado mais incerteza àquela gerada só pela chegada da esquerda radical ao governo grego”.

“Tsipras começou com pragmatismo. Ainda que a aliança pós-eleitoral com a direita nacionalista dos Gregos Independentes  possa ter surpreendido — dentro e fora de Grécia— a muitos, ambas as formações compartilham o mesmo discurso de oposição às políticas de austeridade e defendem uma renegociação das condições econômicas para a permanência do país na União Europeia”, continua o editorial do El País.

“Além dos discursos vitoriosos e com as urnas já fechadas, o novo governo deve atuar com realismo na busca de acordos; uma posição de respeito em relação aos compromissos assumidos pode facilitar respostas flexíveis em Bruxelas, Frankfurt e Washington. Não convém a ninguém na Europa que a etapa que se inicia termine mal. O que a Grécia precisa agora é fazer com que sua economia cresça, e que isso ajude as pessoas a deixarem de sofrer as penalidades dos últimos anos. Há fórmulas que podem ser exploradas sem necessidade de criar precedentes que desequilibrem outros países europeus.

Em todo caso, o problema que persiste depois das eleições e do acordo de governo feito na Grécia tem mais um perfil político do que econômico: é o desafio do avanço dos nacionalismos na Europa como resposta a uma forte crise econômica e social à qual não foram dadas as soluções adequadas. O agressivo discurso contra a União Europeia e suas instituições por parte do Syriza — e de seu aliado conjuntural— não se diferencia muito do que a Frente Nacional desenvolve na França ou o Podemos na Espanha. E o efeito não se limita aos radicais, como mostra a mensagem de David Cameron depois de saber da vitória de Tsipras sobre a instabilidade que se produzirá na Europa e a necessidade de o Reino Unido se ater a ‘políticas seguras’”.

“A Europa tem um desafio crucial representado pela ascensão dos populismos e nacionalismos contrários ao processo integrador. Para encontrar respostas aos problemas, o pessimismo e a limitação de horizontes de milhões de pessoas, a classe política e as forças ainda majoritárias no tabuleiro europeu precisam refletir seriamente sobre o que aconteceu”, conclui o editorial do El País.

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