'Clarín': Carta de Kirchner sobre morte de promotor gera confusão no governo 

"Não esperávamos", admitiu um ministro sobre nota em que presidenta descarta hipótese de suicídio 

O jornal argentino Clarín publicou nesta sexta-feira (23/01) uma matéria da jornalista Lucía Salinas sobre a morte do promotor Alberto Nisman, na última segunda-feira. A Casa Rosada ainda não se recompôs do impacto a morte de Alberto Nisman provocou, mas a segunda carta de Cristina Kirchner sustentando que o fiscal "não se suicidou" se somou às incertezas. Esta reviravolta na posição oficial, gerou confusão em alguns gabinetes da rua Balcarce 50.

"Na segunda-feira começamos dizendo que era um suicídio, mas indicávamos que tudo induzia a isso. E agora depende da Justiça", sustentou um alto funcionário do gabinete depois que a carta foi divulgada. Os dias não são tranquilos, a preocupação não diminui e o discurso oficial vai se acomodando dia após dia. Um ministro próximo do círculo mais íntimo da Presidência só esboçou "é uma confusão total", porém, ninguém contradiz nem pretende discordar. Ao contrário: fortalecer a imagem presidencial e unificar o discurso "é a prioridade", afirmou o funcionário.

Como cada decisão de relevância institucional que a presidenta toma, é conhecida no governo quando se oficializa. "Não esperávamos, mas sabíamos que ela ia dizer algo e alguma coisa ia ocorrer, como pode ocorrer nos próximos dias", indicou um ministro ao Clarín.

No governo, classificaram como "gravíssima acusação" o que foi exposto por Cristina Kirchner,  assinalando que a morte do promotor "era parte do plano” Além disso, disseram que a denúncia central hoje é um "complô contra o governo”. Segundo eles, Cristina tinha que mostrar uma posição forte contra a ofensiva brutal de quem quer colocá-la como responsável pela morte de Nisman, indicou uma fonte da chefia de Gabinete. A Presidenta indicou em sua carta: "O usaram enquanto estava vivo e depois precisaram dele morto. É assim triste e terrível".

No gabinete, dizem que a denúncia apresentada há uma semana pelo promotor Nisman "não tem embasamento", "é frouxa e produz águas por todos os lados", descreveu um dirigente do governo desde que ela foi publicada. 

A carta e seu conteúdo surpreendeu alguns mas eles  reforçam uma corrente e quando existe a oportunidade esclarecem: "Stiusso - acusado por Cristina - não foi nomeado por Néstor e está há muitos anos na antiga SIDE (Secretaria de Inteligencia de Estado)".

Jorge Capitanich, chefe de Gabinete, com a cautela que o caracteriza, expressou: "A carta é completamente contundente, não tenho nada a acrescentar".