'Le Monde': Suíços dizem 'não' ao limite de imigração

Grupo Ecopop alegou questões ambientais para restringir número de imigrantes no país

“Os suíços disseram “não” a uma nova limitação da imigração, desta vez em nome da ecologia, de acordo com as primeiras estimativas do resultado das votações organizadas neste domingo (30/11) em todo o país, difundidos pela televisão estatal”, informou o jornal francês Le Monde.

Cerca de 74% dos suíços disseram “não” a essa iniciativa. Os eleitores recusaram claramente os dois outros textos sobre os quais foram consultados, como a supressão dos benefícios fiscais reservados aos milionários estrangeiros, e a alta das reservas de ouro do Banco Nacional Suíço. 

É a segunda vez no ano que os suíços tiveram que se pronunciar sobre o tema da imigração. Desta vez, os eleitores foram convocados a dizer “não à superpopulação” proposto pela Ecologia e população (Ecopop), uma organização que se descreve como “não partidária” e que quer limitar o saldo migratório anual do país em 0,2% da população (cerca de 16 mil pessoas). Ela exige também que a Suíça dedique 10% de seus fundos de incentivo ao desenvolvimento de medidas de controle da natalidade nos países do Sul.

"No ritmo que se enche a paisagem de concreto atualmente, a 1,1 metro quadrado por segundo, se nada for feito teremos enchido tudo de concreto em 2050" todas as regiões não montanhosas da Suíça, afirma Anita Messere, integrante do comitê Ecopop.

Esse texto se chocava contra uma recusa vinda de todos os meios. Até mesmo a direita populista do UDC, que liderou com um sucesso inesperado o voto anti-imigração do dia 9 de fevereiro, considerava a iniciativa excessiva. Todos sustentavam que o funcionamento da economia, dentro da qual alguns setores como a saúde conta com um terço de empregados estrangeiros, não estaria mais assegurado sem a mão de obra dos imigrantes.

A votação sobre os privilégios fiscais, combatidos em nome da “equidade” pela esquerda, envolvia 5 729 ricos estrangeiros que preferem pagar um total de 1 bilhão de francos suíços (830 milhões de euros) de impostos negociados na Suíça em vez das altas taxas em seus países. A proposta foi rejeitada por cerca de 60% dos eleitores.

Os adversários da iniciativa, com destaque para uma maioria de eleitos dos cantons (estados suíços), sustentavam que a partida desses estrangeiros privaria os cofres de receitas importantes que deveriam ser compensadas diminuindo as despesas ou aumentando os impostos de todos; um argumento que influenciou as sondagens” , conclui a matéria do Le Monde.