Renzi diz que combate à evasão é algo 'sagrado'

Durante a inauguração do ano letivo da Guarda de Finanças da Itália, o primeiro-ministro do país, Matteo Renzi, afirmou que o combate à evasão fiscal é "sagrado" para seu governo. Ao defender as reformas que estão em andamento, ele afirmou que "é frustrante sentir que a Itália é um país onde as coisas não podem ser feitas". 

"Há anos os primeiros-ministros asseguram que haverá luta contra a evasão, mas ela não é feita. Mas nós acreditamos que o país não está quebrado, não está nas mãos de 'espertos' ou de quem fala muito e acaba não fazendo", disse o premier.   

Segundo Renzi, é preciso mudar a maneira de aproximação do governo com os cidadãos para que eles se sintam "moralmente acompanhados". Ele afirma que as mudanças na legislação vão tornar o sistema mais simples, já que a "simplicidade é o pressuposto para combater a criminalidade".    

O premier destacou que, após as suas reformas entrarem em vigor, os cidadãos "terão menos álibis e não menos direitos". Ao falar sobre as mudanças também na lei eleitoral, Renzi reafirmou que "não adianta mudar só a Constituição, não adianta mudar só a lei eleitoral, como estamos fazendo, depois de anos de estagnação, a primeira e verdadeira reforma é a da escola".    

Chamado de programa "Mil Dias", as reformas do governo Renzi são divididas em 10 propostas, das quais cinco possuem caráter político: reformar a constituição para acabar com o bicameralismo paritário - que já foi aprovada pelo Parlamento, criar uma nova lei eleitoral que estabeleça um vencedor claro ao fim de cada pleito - que ainda está sendo negociada com os parlamentares, aumentar a voz da Itália em questões internacionais, refletir sobre o papel das escolas e reduzir as despesas públicas.    

As outras cinco ideias, segundo Renzi, possuem um perfil "administrativo". Elas incluem reformas trabalhista, fiscal, judiciária e da administração pública, além de um pacote de investimentos em infraestrutura, energia e redes digitais. Segundo o próprio premier, todas as reformas devem entrar em vigor no início de 2015.