‘FT’: Obesidade pesa US$ 2 trilhões na economia mundial, diz relatório

O Financial Times publicou nesta quinta-feira (20/11) um artigo com um alerta: “A obesidade está virando um pesado problema econômico. Quase um terço da população mundial está acima do peso ou é obesa, gerando um custo econômico que rivaliza com o dos conflitos armados ou o fumo, segundo uma pesquisa de consultores da McKinsey”.

“A tensão nos orçamentos de sistemas de saúde deve aumentar porque, a não ser que haja uma freada na tendência atual, metade da população adulta mundial estará acima do peso em 15 anos. Num relatório de 150 páginas, publicado na quinta-feira, os consultores colocaram o custo anual da obesidade mundial em US$ 2 trilhões – o que equivale a 2,8% da economia mundial”, diz o artigo de Scheherazade Daneshkhu.

A estimativa se baseia na perda de produtividade econômica, custos de sistemas de saúde e investimento necessário para atenuar o impacto da obesidade. O custo para a economia mundial dos conflitos armados, guerra e terrorismo é de US$ 2,1 trilhões, similar ao que é gerado pelo fumo.

Richard Dobbs, principal autor do relatório, disse: “A obesidade é agora uma questão crítica, que requer uma estratégia abrangente de intervenção implantada em larga escala. Qualquer intervenção isolada deve ter pequeno impacto.”

"O problema da obesidade se espalhou de economias avançadas para países menos ricos ao longo da última década. Cerca de 2,1 bilhões de pessoas são consideradas acima do peso ou obesas hoje – 2,5 vezes o número das pessoas subnutridas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) descreveu a obesidade como uma epidemia que está conectada com uma pletora de doenças não transmissíveis, incluindo a diabetes tipo 2, o câncer e as doenças cardíacas.

Segundo a organização 2,8 milhões de mortes por ano acontecem devido ao sobrepeso e, no início deste ano, reduziu à metade a recomendação para o consumo de açúcar: de 10% da caloria diária de um adulto a um ideal de 5%. O relatório da McKinsey estudou 74 medidas que estão sendo tomadas para enfrentar o problema da obesidade, a partir das quais fez recomendações para o Reino Unido, onde 37% da população está acima do peso e um quarto  é obesa", diz o artigo.

O Public Health England, parte do departamento de saúde do Reino Unido, estimou que se a obesidade fosse reduzida aos níveis de 1993, o Serviço Nacional de Saúde economizaria £ 1,2 bilhões por ano, até 2034.

As recomendações da McKinsey incluem menores porções de fast food; reformulação de comida processada, mudança nas promoções de comida e bebida, investimento em educação para os pais, introdução de refeições saudáveis na escola e no ambiente de trabalho, e inclusão de mais atividade física na escola.

Alison Tedstone, nutricionista chefe na Public Health England, afirmou: “Este relatório é uma contribuição útil para o debate sobre a obesidade. O PHE afirmou com veemência que apenas as simples mensagens educativas não são suficientes para enfrentar a obesidade.

“O excesso de peso e a obesidade são um problema complexo que requer ação em níveis individuais e sociais envolvendo a indústria, governos nacionais e locais e o setor de voluntários. Não há apenas uma única ‘bala de prata’ como solução.”