Obama nega que entrará em guerra contra o Islã

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez um discurso de 40 minutos na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e disse que seu país não fará uma guerra contra o Islã e que a democracia é o melhor caminho para a paz no mundo. O discurso foi pouco aplaudido pelos que estavam no auditório nesta quarta-feira (24).

"Temos que reafirmar que os Estados Unidos não estão em guerra contra o Islã. O Islã ensina a paz, a dignidade e a ter senso de justiça", disse o presidente afirmando que os extremistas não seguem nem a "língua de deus ou de um mártir" porque "nenhum deus" ensina a matar ou a "estuprar crianças e mulheres".

Obama destacou que os terroristas cometem "os mais terríveis crimes" e que não fazem distinção entre cristãos, judeus ou até mesmo muçulmanos. Ele pediu para que aqueles que seguem o islamismo "rejeitem veementemente os grupos terroristas como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico" que deturpam a fé dessa religião.

"A única língua que eles entendem é a força e nós a usaremos. Porque o futuro pertence àqueles que sabem construir, não àqueles que destroem", ressaltou Obama. O líder ainda afirmou que sabe que "os Estados Unidos não estão sozinhos" nessa luta e que mais de 40 países estão enfrentando esse problema.

O mandatário fez um alerta: "o futuro depende dessa luta contra os extremistas". Apesar disso, ressaltou que não enviará as tropas por terra para o Iraque e a Síria, mas que seu país treinará e dará apoio financeiro aos moderados de oposição sírios para combater os terroristas.

Ele ainda fez um apelo pelas crianças, dizendo que "nenhuma criança nasce odiando alguém porque é judeu, cristão ou muçulmano" e para evitar que elas cresçam em um ambiente violento. Argumentou também que as "religiões não podem ser motivos de sectarismo" na sociedade, pois todas elas ensinam a amar o próximo com a si mesmo. Obama salientou que não entende como jovens que tem educação e moram bem podem sair de seus países para lutar com extremistas ou para virar homens-bomba.

Obama aproveitou o momento para lembrar a importância da ONU e pediu "para que todo o mundo" se una na luta contra os terroristas.

Síria

Ao falar sobre a Síria, o presidente norte-americano pediu para que o povo "não deixe passar a oportunidade" sobre a questão nuclear no país. Ele ressaltou que as pessoas cobrem que o projeto nuclear tenha apenas fins pacíficos, para ser utilizado como "sistema de energia" e não para "desenvolver armas que causam instabilidade no mundo". Obama aproveitou para "prometer que os EUA estarão engajados nesse sentido" e que "mais nenhuma guerra é necessária na Síria".

Rússia

Obama criticou muito a postura do governo russo na questão da Ucrânia, afirmando que "quando o povo quis ir para a rua contra um governo corrupto", a Rússia enviou milhares de militares para as suas fronteiras para munir os rebeldes.

Afirmou também que a atitude dos russos foi "uma agressão" e que continuará a lutar ao lado do povo ucraniano "por um simples motivo: as pessoas devem escolher seu futuro" e que o cessar-fogo entre os dois países abre o caminho para a paz.

Após o discurso de Obama, o vice-ministro das Relações Exteriores russo, Ghennadi Gatilov, afirmou que Moscou apoiará a resolução da ONU na luta contra o Estado Islâmico. A medida estará na mesa de votação do Conselho de Segurança ainda nesta quarta-feira.

Gaza

Sobre os conflitos entre palestinos e israelenses, o presidente ressaltou a "liderança dos EUA no processo de paz" e que o mundo só será mais justo e mais seguro quando as crianças pararem de ser coagidas por grupos como Hamas, Boko Haram, Al-Qaeda e EI.

Ferguson

Apesar do discurso sobre os problemas do mundo, o mandatário lembrou do episódio em Ferguson, onde um jovem negro foi morto por um policial branco e ressaltou que "nós também temos nossos problemas raciais e sectários". Porém, ele destacou que a democracia e o livre debate são fundamentais para a democracia no mundo.