Ex-núncio católico acusado de pedofilia pode pegar 7 anos de prisão

O ex-núncio apostólico na República Dominicana e ex-arcebispo de Cracóvia Józef Wesolowski, de 66 anos, passou a primeira noite em prisão domiciliar pelas acusações de abusos sexuais de menores e por ter material pornográfico infantil, informou nesta quarta-feira (24) o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi.

Wesolowski será processado com base nas normas em vigor da reforma penal de 2013 e pode pegar uma pena de 6 a 7 anos de prisão, mais eventuais agravantes. Lombardi afirmou que o início do processo poderá ser "nos últimos meses deste ano" ou "nos primeiros do ano que vem".

A decisão foi tomada por causa das graves acusações de abuso e de danos aos menores, que ocorreram na República Dominicana, onde o ex-representante diplomático da Santa Sé atuava. A notícia não foi completamente inesperada para quem estava por dentro do caso e é um sinal de "revolução" em respeito ao passado da Igreja Católica.

Em junho deste ano, Wesolowski já havia sido condenado pela Congregação para a Doutrina da Fé em primeira instância por abusos sexuais contra menores. A sentença canônica lhe rendeu a perda de seu título de arcebispo e ainda fez com que ele responda a um processo penal diante de órgãos judiciários.

O polonês foi núncio, que é como a Igreja chama os seus representantes fora do Vaticano, na República Dominicana de janeiro de 2008 a agosto de 2013. As autoridades do país abriram uma investigação para apurar crimes de pedofilia cometidos pelo religioso, que foi chamado de volta pela Santa Sé no ano passado e teve suas credenciais revogadas pelo Pontífice.