Oitenta e sete por cento dos franceses não se sentem ouvidos

Confiança na classe política continua em queda

A confiança dos franceses na classe política continua caindo desde 2013, de acordo com um estudo realizado pelo Centro de Pesquisa de Opinião para o Instituto de Estudos Políticos de Paris, divulgado nesta terça-feira (14/1). Os dados estão na edição atualizada do Jornal Francês Le Figaro.

Dos 1.803 entrevistados entre 25 de novembro e 12 de dezembro, 60% afirmam não confiar nem na direita e nem na esquerda para governar o país, em comparação com os 52% registrados no levantamento anterior, realizado em dezembro de 2012.

O estudo aponta que apenas 11% confiam em partidos políticos; 23% a 28% nos meios de comunicação e em sindicatos; o Exército tem um nível de confiança de 74%, ficando 68% com a polícia, 67% com as instituições escolares e as associações com 65%.

De acordo com esse levantamento, antes das revelações sobre o suposto romance entre o presidente François Hollande e uma atriz, 87% dos franceses acreditavam ser pouco ou nada confiável ouvir os políticos. Dos entrevistados, 69% consideram que a democracia não funciona muito bem ou não funciona bem na França (em 2012 foram 54%). No entanto, 57% dizem que estão interessados na política.

A Frente Nacional e a UMP estão agora definidas igualmente: 36% dos entrevistados acreditam que o UMP melhor representa a oposição de direita e todos emitem o mesmo julgamento sobre a FN. Das pessoas questionadas na pesquisa, 34% confiam no presidente da FN, Marine Le Pen, em 2012 eram 32%. Apenas 20% dizem confiar em François Hollande, contra 27% no ano passado. Seu antecessor, Nicolas Sarkozy, alcança 36% a favor,  contra 37% em 2013.

O atual primeiro-ministro socialista, Jean-Marc Ayrault, tem 18% de aprovação, contra 24% no ano passado. Dos entrevistados, 34% acreditam que a palavra “tristeza” melhor reflete o estado de espírito atual, 31% consideram que a melhor palavra representativa é "fadiga” e 30%, "desconfiança”. Apenas 15% dos entrevistados dizem estar serenos, cinco pontos a menos que há um ano.