Papa pede reflexão sobre a morte

O Papa Francisco destacou nesta quarta-feira (27) a dor dos inocentes, a morte das crianças, e a visão religiosa e ateia da morte, durante a audiência geral no Vaticano e agradeceu os fiéis por estarem presentes na cerimônia em um dia muito frio. No início da cerimônia o Papa questionou a morte das crianças e confessou como este tema o inquieta. "Sempre me questiono 'porque as crianças sofrem?', 'porque as crianças morrem?".    

"A morte assusta quando é compreendida como o fim de tudo, se transforma em uma ameaça que rompe qualquer relação e interrompe qualquer caminho. Isto acontece quando consideramos a nossa vida como um tempo fechado entre dois pólos, o nascimento e a morte, quando não cremos em um horizonte, quando se vive como se Deus não existisse", observou Francisco.    

"Esta concepção da morte é típica do pensamento ateu, que interpreta a existência como um caminhar em direção ao nada, mas existe também um ateísmo prático, que é um viver apenas para os próprios interesses, apenas para as coisas terrenas, se nos deixamos tomar por esta visão errada da morte, nós temos outra escolha, que a de ocultá-la, negá-la, banalizá-la, para que não nos assuste, mas o coração do homem se rebela diante desta falsa solução, o desejo que todos nós temos pelo infinito, a nostalgia que todos nós temos do eterno", disse o Pontífice.    

"Nos momentos mais dolorosos da nossa vida, quando perdemos uma pessoa querida, os pais, um amigo, um filho, percebemos que ainda que dilacerados, e no coração do que ao pode ter acabado tudo, que o bem não foi inútil, existe um instinto poderoso dentro de nos que nos diz que a nossa vida não acaba com a morte", destacou Francisco.    

"Se a minha vida foi confiante no Senhor estarei pronto para aceitar a morte como definitivo abandono nas suas mãos confidentes, na espera de contemplar face a face o seu rosto, e este é o mais bonito que pode nos acontecer", explicou o Papa