La Nación destaca "novo tropeço" de Kirchner

O jornalista e especialista político argentino Joaquin Morales Sola publicou no jornal La Nación (Buenos Aires), nesta quinta-feira (3/10), um artigo sobre o que ele chamou de "novo tropeço" da presidente Cristina Kirchner, que demostra "a falta de confiança em seu governo e sua liderança". Sola ressalta que o controle "frouxo" da entrada de dólares no país "desmente o antigo aforismo de que a ganância de capital é maior do que o medo". Segundo ele, o peronismo começou a recuar para o antigo Partido Peronista, porque eles desconfiam do poder eleitoral da presidente. "Cuidado, especialmente, da direção que pode levar as coisas depois de 27 de outubro", diz o texto.

Morales Sola afirma que Kirchner cometeu um pecado imperdoável aos olhos dos detentores de dólares. O jornalista explica que um mês após a sua vitória em 2011, a presidente começou a operar as ações de compra de moeda dos EUA, mas ela não havia anunciado nada sobre as proibições operacionais durante a sua campanha de reeleição. As reservas caíram em 15 milhões de euros nos últimos dois anos, apesar do aumento das restrições cambiais. "Em suma, Cristina Kirchner teve um problema de desconfiança social na gestão da economia, mesmo em tempos de ganhar eleições e teve abundantes reservas de dólares no Banco Central", conclui Sola.

Segundo a matéria, nas últimas horas houve uma forte pressão do governo sobre a Adeba (associação bancária nacional) para que os seus membros realizem volumosas operações. A administração tornou difícil, especialmente para o presidente do Banco Central, Mercedes Marco. O Governo propôs um sistema de compra de dólares ("blue-chip") e o resgate de títulos, o que significaria o fim de uma clara perda para os bancos.

Mas a confiança política peronista de Cristina entrou em colapso muito antes dos últimos "tropeços", segundo Sola. Para o jornalista, foi o que aconteceu quando a presidente decidiu ignorar os peronistas e transferi-lo para o governo Campora. Essa decisão veio muito cedo depois de sua vitória eleitoral em 2011. "Quanto esperar confiança depois de fazer batota?", pergunta Sola finalizando a sua matéria.