Itália declarará luto nacional por naufrágio em Lampedusa

O Conselho de Ministros da Itália foi convocado para declarar luto nacional devido ao naufrágio ocorrido nesta quinta-feira na ilha de Lampedusa. O barco levava 500 imigrantes africanos para a Europa. Até agora 150 sobreviventes foram resgatados. Pelo menos 93 pessoas morreram.   

A prefeita de Lampedusa, Giusi Nocolini, informou que muitas mulheres e crianças estavam na embarcação. "Chega! O que estamos esperando? O que esperamos além de tudo isso? É um horror continuo", disse a prefeita.    

"Não se conhecem ainda as dimensões [do acidente]. Se for verdade que a embarcação levava 500 [pessoas] e foram salvas até agora 130, é de fato um horror", afirmou ela.

Giusi Nicolini pediu para o primeiro-ministro da Itália, Enrico Letta, dirigir-se à ilha para "contar os mortos". "Venha contar os mortos comigo", escreveu a prefeita em um telegrama ao premier. Nicolini há anos tenta chamar a atenção das autoridades para o problema dos naufrágios em Lampedusa. Em entrevista à ANSA por telefone, a prefeita relatou que a cena desta quinta-feira "é um horror". "Não terminam nunca de descarregar mais corpos. Venham ver. É uma cena impressionante", contou a prefeita, chorando.

"Não posso deixar de expressar a miopia da Europa, que insiste em olhar só para o outro lado. Os imigrantes chegam à nossa ilha há anos e continuarão fazendo isso por muito tempo. Se as instituições não intervierem imediatamente, serão, inevitavelmente, cúmplices desse absurdo e vergonhoso massacre", criticou.    

Nicolini também desferiu críticas à lei italiana "Bossi-Fini", que regula os casos de imigração no país. Em vigor desde julho de 2002, a lei prevê, entre outras coisas, punição aos que favorecem a imigração clandestina e o envio de pessoas indocumentadas a centros de acolhimento temporário.    

"A Itália tem leis desumanas. Três barcos pesqueiros foram embora do local da tragédia porque o nosso país processa os pescadores que salvam vidas humanas, acusando-os de favorecer a imigração clandestina", afirmou Nicolini. "O governo deve anular imediatamente essa normativa", acrescentou.