Ex-embaixador do Panamá questiona: Qual é o futuro da Venezuela?

Qual é o futuro da Venezuela? Esse é o título do artigo de Guillermo Alberto Cocher Farrugia, ex-embaixador do Panamá junto à OEA, que ganha destaque nesta quinta-feira (3/10) no jornal espanhol El Paìs. O texto afirma que a crise no país é estrutural e os setores concordam que, se nenhuma ação for tomada em consenso, o Estado está em perigo de colapso. 

As avaliações de Farrugia tem como base os estudos dos especialistas políticos venezuelanos Carlos Blanco e Oswaldo Alvarez Paz, que alertaram em suas colunas sobre a necessidade do atual presidente, Nicolas Maduro "abrir mão das suas funções e permitir um caminho para a transição que a Venezuela precisa". O artigo cita que o modelo econômico imposto há mais de 15 anos no governo Chávez entrou em colapso: "destruindo instituições, prejudicando pilares produtivos, aumentando a dependência de importações, a escassez acentuada de mercadorias, permissividade para com os militares no tráfico de drogas, corrupção e incompetência para lidar com programas de governo e isso causou o desperdício, a falta de controles efetivos, a contínua desvalorização da moeda, controlar áreas sensíveis de segurança do Estado cubano", destaca o ex-embaixador.

"A situação na Venezuela é cada vez mais difícil de sustentar", reforça o artigo. Farrugia explica que Nicolás Maduro está buscando as soluções para o país, favorecido pela Igreja Católica influente, com a participação de forças políticas e o exército. "Talvez o candidato presidencial da oposição Henrique Capriles deve esperar por uma nova eleição para chegar a governar seu país", destaca. Para o diplomata, o país perdeu o seu líder na luta da revolução do século XXI e não havia ninguém pronto para substitui-lo. 

O argumento de Farrugia é que ninguém pode explicar como aconteceram as explosões sociais. "Sem liquidez, a economia ainda está afundando; clima não oferece qualquer confiança no país e menos em investimento estrangeiro. A inflação sobe para 42,5% ao ano em alimentos para 60% desde agosto do ano passado", descreve o ex-embaixador do Panamá. Ele cita que o Brasil é um dos parceiros da Venezuela, junto com o Irã, e deve ficar prejudicado, pois tudo indica que o país não irá cumprir os seus compromissos de investimentos conjuntos.