Governo israelense indica nomes de 26 palestinos para libertação

O governo de Israel indicou os nomes dos primeiros 26 prisioneiros palestinos que serão libertados nas próximas horas como sinal para a retomada das negociações de paz. No total, 104 prisioneiros deixarão as prisões israelenses. A decisão, acolhida com favor pelos palestinos, provocou a forte oposição das famílias das vítimas e de uma parte dos líderes políticos israelenses, contrários a libertação dos prisioneiros condenados por homicídio ou por outros graves crimes. 

"Acolhemos com favor a libertação dos prisioneiros", declarou à ANSA o vice-ministro para os Prisioneiros da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Ziad Abu Ein, definindo a decisão de Israel como "um passo necessário e fundamental para a retomada das negociações com Israel". 

Abu Ein explicou que dos 26 prisioneiros soltos, todos presos antes da assinatura dos Acordos de paz de Oslo de 1993, "20 são partidários do Fatah, a bancada do presidente da ANP Mahmoud Abbas, dois a Hamas, movimento islâmico no poder na Faixa de Gaza, dois da Frente Nacional para a Libertação da Palestina (FNLP) e dois da Jihad Islâmica".    

A reação das associações dos familiares das vítimas foi muito dura. Segundo Meir Indor, presidente de uma delas, "Almagor", "os grupos terroristas venceram o governo Netanyahu". "Vamos tentar parar a libertação dos assassinos. Esse é um dia negro para as famílias em luto e para os cidadãos de Israel", afirmou Avi, um dos parentes das vítimas. Entre os prisioneiros que serão libertados, 21 foram condenados para o homicídio de cidadãos israelenses - entre os quais um sobrevivente do Holocausto - ou dos assassinatos de supostos colaboradores palestinos, enquanto os outros foram envolvidos em tentativas de homicídio ou em sequestros. O ministro da Habitação de Israel, Uri Ariel, membro do partido nacionalista "Casa Hebraica", afirmou que "não é claro como a libertação de assassinos possa levar á paz". 

Ariel tinha anunciado ontem a construção de mais de mil novas casas israelenses em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia. Outro membro do "Casa Hebraica", Moti Yogev, disse que é "imoral libertar prisioneiros" e acusou o governo de ceder ás "ordens norte-americanas".