Governo sul-africano se distancia da família de Mandela

Executivo informou que não tem responsabilidade nas desavenças familiares

A Presidência da África do Sul informou nesta sexta-feira que considera "lamentáveis" as desavenças na família do ex-presidente sul-africano, Nelson Mandela - que permanece hospitalizado há um mês por causa de uma infecção pulmonar - e decidiu se distanciar das polêmicas. 

O porta-voz do governo, Mac Maharaj, declarou que "é lamentável que exista uma disputa entre parentes e gostaríamos que fosse resolvida de forma amigável o mais rápido possível", explicando que o governo não "está envolvido na questão e não deve ser considerado responsável". 

Quinze membros da família de Mandela processaram um dos netos do ex-líder da luta contra o Apartheid, Mandla, por causa da transferência dos túmulos dos três filhos de Madiba. O tribunal acolheu os pedidos dos familiares e decidiu que os túmulos devem voltar ao vilarejo de Qunu, de onde a família é originária. A existência da disputa foi divulgada publicamente pelo próprio Mandla, em uma coletiva de imprensa.    

Maharaj declarou que o governo não enviou nenhum documento sobre o estado vegetativo de Mandela, cuja existência foi divulgada ontem pela imprensa internacional. "Não devemos dizer se esse documento é verídico ou falso, mas verificamos com a equipe médica que negou que Madiba esteja em um estado vegetativo", afirmou o porta-voz. 

"Resolvam suas divergências. Chega de sujar o nome do ex-presidente: é como cuspir na cara dele", declarou o arcebispo sul-africano Desmond Tutu, se referindo às disputas da família de Mandela. Para o Prêmio Nobel da Paz, a angústia da família é agora "a angústia do país e do mundo. "Queremos vos abraçar, ficar perto de vocês para iluminar seu amor por Madiba através de nos", afirmou Tutu. (