Irmandade Muçulmana rejeita diálogo com novo governo egípcio

A Irmandade Muçulmana anunciou nesta quinta-feira (4) que não vai dialogar com as autoridades do novo governo egípcio e voltou a condenar o 'golpe de Estado' em que foi deposto o presidente Mouhamed Mursi. "Anunciamos nossa categórica rejeição ao golpe de Estado contra o presidente eleito e a vontade do povo, e recusamos participar de qualquer diálogo com o novo governo", diz um comunicado divulgado pela Irmandade Muçulmana na sua página na internet.

A Irmandade também faz um apelo para protestos pacíficos e critica qualquer forma de violência. “Rejeitamos as práticas repressivas do Estado policial, como os assassinatos, as detenções e as restrições à liberdade dos meios de comunicação e o fechamento de canais de televisão”, acrescenta o comunicado, referindo-se à detenção, pelas forças de segurança, de dirigentes e apresentadores de canais de televisão religiosos islâmicos no Cairo e ao cancelamento de suas emissões.

A Justiça egípcia proibiu a saída do país do presidente deposto, que está em lugar desconhecido e será investigado por acusações de insulto ao Poder Judicial, assim como oito dirigentes da Irmandade Muçulmana.

Segundo uma fonte dos serviços de segurança, a Polícia Militar deteve o líder supremo da Irmandade Muçulmana, Mohamed Badie, a pedido da Procuradoria egípcia, que também já tinha ordenado a prisão dos líderes da organização e de seu partido, Liberdade e Justiça, em operação que foi desencadeada na noite passada, logo após o alto comando militar ter anunciado a deposição de Mouhamed Mursi.

Também nesta quinta-feira, o presidente nomeado pelas Forças Armadas do Egito, Adly Mansour, de 67 anos, tomou posse e prestou juramento diante da  Suprema Corte Constitucional. Mansour ficará interinamente no poder até que sejam realizadas eleições presidenciais, segundo as Forças Armadas. 

Os militares que destituíram Mursi não informaram, por enquanto, quando ocorrerão as eleições presidenciais. O presidente deposto é mantido detido, juntamente com colaboradores, sob a supervisão dos militares.