Mursi reafirma legitimidade e propõe coalizão; assessor fala em golpe

O presidente do Egito, Mohamed Mursi, voltou a dizer que não está disposto a renunciar e pediu que os militares "não escolham lados" na disputa que polariza o Egito. Um pouco antes de expirar o prazo de 48 horas dado pelos militares para que o líder atendesse as demandas das ruas, a presidência divulgou uma nota dizendo que está disposta discurtir um plano de transição baseado na legitimidade constitucional do cargo de Mursi, mas que a oposição se recusa a dialogar. 

Na mensagem, divulgada em sua página no Facebook, Mursi disse que a legitimidade "é a única garantia para assegurar a estabilidade e contra a violência". Além disso,  convocou a formação de "um governo de coalizão e de consenso para organizar eleições legislativas". "Cometem um erro ao acreditarem que podem se impor sobre a legitimidade da força feste povo que provou o sabor da liberdade", assegurou Mursi, que fez um alerta com base na destruição da revolução de 2011.

Para Mursi, "a falta de respeito à legitimidade constitucional ameaça a prática democrática com um desvio de seu caminho correto e a liberdade de expressão que o Egito viveu após a revolução".

Logo em seguida, um assessor direto da presidência postou uma nova mensagem dizendo que o Egito estava diante de um golpe militar. "Enquanto eu escrevo essas linhas, estou convencido de que talvez sejam as últimas linhas publicadas nesta página. Pelo Egito e pela precisão histórica, vamos chamar o que está acontecendo pelo seu nome verdadeiro: golpe militar", escreveu o assessor para relações exteriores do presidente Mursi.

Também há informações de que Mursi e seus principais assessores estão proibidos de saírem do país. Funcionários aeroportuários confirmaram à agência AFP que receberam ordens de impedir que estes dirigentes, incluindo Mursi, o líder da Irmandade Muçulmana, Mohamed Badie, e o número dois da confraria, Jairat al Shater, deixem o Egito.

Durante o dia, as Forças Armadas informaram que seus generais estavam reunidos com líderes políticos e religiosos do país e que em breve haveria um pronunciamento. Em um dos encontros, o chefe do exército, Abdel Fatah al Sisi, conversou com o representante da oposição e prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei para analisar uma futura agenda caso não haja consenso. Antes, Sisi havia se reunido com altos responsáveis militares.

Enquanto isso, dezenas milhares de pessoas estão nas ruas de diversas cidades do país, em protestos contra e a favor de Mursi. Na capital, Cairo, os opositores se concentram na praça Tahrir, símbolo da revolução de 2011, enquanto apoiadores de Mursi estão no bairro de Nasr City. Em ambos os lugares, os egípcios aguardam um posicionamento do exército após o fim do prazo dado a Mursi. No começo da noite, tanques do exército começaram a chegar ao centro do Cairo, para delírio da multidão reunida na praça Tahrir

Ontem, em um discurso televisionado, Mursi defendeu ontem à noite sua legitimidade democrática e pediu ao exército que retirasse seu ultimato. O presidente pediu aos egípcios para se afastarem dos remanescentes do anterior regime de Hosni Mubarak e evitar o derramamento de sangue entre eles, e afirmou estar disposto a sacrificar sua vida pelo país.