Em vídeo, Mursi se diz presidente legítimo do Egito

Em um vídeo, divulgado horas depois de sua deposição, o agora ex-presidente do Egito, Mouhamed Mursi, disse que se considera “presidente eleito do país". "Sou o presidente eleito do Egito", disse. “Peço ao povo para defender a legitimidade do seu governo”. 

Eleito há um ano, Mursi foi deposto pelas Forças Armadas depois de três dias de intensos e violentos protestos nas principais cidades egípcias pedindo sua renúncia. Ele será substituído interinamente pelo presidente do Tribunal Constitucional. A Constituição também foi suspensa, segundo anúncio pelos responsáveis militares. Os militares estipularam prazo de 48 horas para o presidente atender às reivindicações dos manifestantes que tomaram as ruas do país nos últimos dias. Mursi argumentou que foi eleito democraticamente há um ano e que não iria renunciar ao posto.

A decisão foi anunciada pelo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Abdel Fattah Al Sisi. Ele também anunciou eleições presidenciais antecipadas. A notícia foi recebida com festa por milhares de manifestantes na Praça Tahrir, no centro da capital.

Na sua declaração, transmitida pela televisão, al-Sisi estava rodeado por diversos responsáveis políticos e religiosos, incluindo o chefe da instituição islâmica Al Azhar e grande imã Ahmed Al-Tayeb, a principal autoridade sunita do Egito, e o patriarca copta ortodoxo Tawadros II.

O presidente norte-americano, Barack Obama, determinou que o embaixador e os funcionários deixem a Embaixada dos Estados Unidos no Egito. Há alguns dias, o Departamento de Estado norte-americano determinou a retirada de todos os funcionários não essenciais do país.

Paralelamente, o rei da Arábia Saudita, Abdullah, enviou um telegrama de felicitações a Adly Mansour, anunciado pelos militares como o novo líder interino do país. Ele foi o primeiro dirigente estrangeiro a felicitar oficialmente Mansour, até agora presidente do Tribunal Constitucional.

O governo do Brasil divulgou nota, por intermédio do Ministério das Relações Exteriores, apelando para que as autoridades egípcias busquem um acordo por meio do diálogo. As autoridades brasileiras também se disseram preocupadas com a situação no Egito.

Com Agência Brasil