Oposição no Egito rechaça possibilidade de golpe militar para derrubar Mursi

A Frente de Salvação Nacional (FSN), principal coligação da oposição no Egito, rechaçou hoje (2) a possibilidade de um golpe de Estado no país liderado pelo Exército. A oposição informou que não apoia “qualquer golpe de Estado militar". A possibilidade de golpe surgiu no momento em que os militares deram um ultimato de 48 horas para o presidente egípcio, Mouhamed Mursi, adotar medidas de reconciliação nacional ou renunciar.

"Não apoiamos qualquer golpe de Estado militar", diz o comunicado da Frente de Salvação Nacional. "A FSN está empenhada, desde a sua criação em 22 de novembro de 2012, na construção de um Estado democrático, civil e moderno. Confiamos na declaração do Exército, refletida no comunicado de ontem [segunda-feira], de acordo com a qual não quer investir na política ou ter um papel político.”

Em mensagem divulgado ontem (1º), o comando militar indicou que "se as reivindicações populares não forem satisfeitas durante este período de 48 horas, as Forças Armadas anunciarão o roteiro e as medidas para supervisionar a respectiva aplicação". Em seguida, o chefe do Comando do Exército, general Abdel Fattah Al Sissi, desmentiu a possibilidade de golpe de Estado.

Em fevereiro de 2011, os militares assumiram interinamente o comando do Poder Executivo no período entre a queda do então presidente Hosni Mubarak e a posse de Mursi, primeiro presidente democraticamente eleito no país, em junho de 2012.

Nos últimos dias, os protestos nas principais cidades do Egito se intensificaram, registrando confrontos entre policiais e manifestantes. Apenas no domingo (30), morreram nove pessoas e mais de 630 ficaram feridas. A situação econômica do país também se agrava, aumentando o número de desempregados na região, principalmente entre jovens.