Festas de Berlusconi eram 'degradação', diz colaborador de ex-premier

O ex-agente da indústria do entretenimento, Lele Mora, prestou depoimento nesta sexta-feira no Tribunal de Milão, durante o processo conhecido como "Ruby bis", onde ele é acusado de indução e favorecimento de prostituição de menores.    

Segundo o Ministério Público ele teria recrutado a jovem marroquina Karima El Marough, conhecida como "Ruby Rouba-corações" para participar das festas na residência do ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi em Arcore. 

"Aquilo que aconteceu em volta das noites de Arcore foi um caso de excesso, abuso de poder e degradação. Palavras que eu li nos jornais e com as quais concordo", declarou Mora, admitindo ter sido passivo e concorrente. Mora admitiu ter participado das festas na residência de Berlusconi e ter "acompanhado algumas garotas", mas negou qualquer tipo de condicionamento ou de julgamento dos comportamentos das jovens além de "nunca ter orientado suas condutas ou forçado a fazer algo".    

O ex-agente das celebridades, amigo próximo de Berlusconi, passou um longo período preso após ser condenado por falência fraudulenta de uma de suas empresas. Ele declarou que recebeu um empréstimo do ex-primeiro-ministro através de Emilio Fede, apresentador de uma das emissoras de televisão de Berlusconi, e com esse dinheiro ele teria "resgatado suas empresas". 

Entretanto, na saída do Tribunal de Milão, Mora declarou aos jornalistas que nas festas de Arcore "não aconteceu nada de errado", negando que prostitutas tivessem participado das festas. Ele também negou ter julgado as festas com a palavra "degradação", pois teria somente repetido o que tinha lido nos jornais.    

Na última segunda o Tribunal de Milão julgou Berlusconi culpado de concussão e prostituição de menores, condenando o ex-primeiro-ministro a sete anos de prisão e o proibindo de exercer cargos públicos para sempre. Ele teria tido relações sexuais com Ruby na época em que a jovem era menor de idade e teria forçado a polícia italiana a libertar a garota, presa por furto.