Choque de trens deixa 3 mortos e 155 feridos em Buenos Aires

Dois trens metropolitanos se chocaram nos subúrbios de Buenos Aires nesta quinta-feira, deixando ao menos três mortos e 155 feridos, segundo autoridades argentinas. 

"Até o momento temos a informação de três falecidos", disse à AFP Carlos Grillo Carbó, subsecretário de Emergências do Município de Morón, ao qual pertence Castelar.

O ministro argentino de Interior e Transporte, Florencio Randazzo, disse em uma mensagem ao país que 155 pessoas haviam sofrido ferimentos de diferentes gravidades, tendo sido atendidas em sete hospitais da região, na povoada periferia oeste de Buenos Aires. "Para que possam ser realizadas investigações a fundo, o serviço (ferroviário) será interrompido por 24 horas porque queremos determinar de forma confiável se foi um sinistro ou um acidente. O maquinista e o acompanhante estão incomunicáveis. O trem que se chocou tinha freios novos", disse Randazzo.

O acidente aconteceu pouco depois das 7h na localidade de Castelar entre duas composições que se dirigiam para de Once para Moreno, a 40 km da capital. Um dos trens estava vazio. Ainda não está claro o que causou o choque, mas especula-se que tenha sido provocado por uma falha nos freios de uma das composições.

"Às 7h07, a composição 3725 chapa 19 estava parada entre as estações Morón e Castelar, quando, por motivos ainda desconhecidos, a formação 3727 chapa 1 colidiu com a traseira da composição que estava parada", afirmou em comunicado a Ugoms, empresa que opera as linhas de trem Mitre e Sarmiento. 

O delegado ferroviário Daniel Ferrari disse que a composição que provocou a colisão "estava parada há seis meses" por problemas de freio e tinha voltado a operar na segunda-feira. "Não queríamos que ela saísse", disse Ferrari à agência DyN.

Aos poucos começaram a emergir os relatos de pessoas que viajavam em um dos trens acidentados. "Todos estavam meio dormindo quando o choque nos despertou e nos atirou para frente", disse Lucas Gorosito à rádio paraguaia 780 AM. 

"O trem estava parado. Estava há uns quatro ou cinco minutos detido. Senti um estrondo muito forte", disse Claudio Menéndez, um dos passageiros, ao canal de televisão TN.

Resgate concluído

Quatro horas após o acidente, as autoridades deram por concluída a operação de resgate, que incluiu dezenas de bombeiros e voluntários. No entanto, muita gente ainda procurava por informações a respeito de familiares que viajavam no trem acidentado.

"Procuro meu filho Marcelo Aguirre, de 23 anos", disse angustiada à AFP Beatriz Aguirre, enquanto comunicava seu caso aos socorristas que forneciam informações aos familiares sobre as pessoas hospitalizadas.

"Busquem, busquem por favor com cuidado, ele se chama Manuel Tolaba, 29 anos, tem que estar em alguma lista", dizia nervosa Alicia Castro, que buscava seu cunhado com um bebê nos braços.

Em 22 de fevereiro de 2012, um outro acidente de trem provocou a morte de 51 pessoas e deixou cerca de 700 feridos. Um trem descarrilou e bateu em uma barreira de proteção da estação de Once, em Buenos Aires, capital da Argentina, durante o horário em que as pessoas se deslocavam para o trabalho. 

O sistema ferroviário argentino, em crise por décadas de baixos investimentos, transporta diariamente milhões de pessoas, especialmente entre Buenos Aires e sua periferia.

Pelo acidente de Once em 2012, a justiça argentina indiciou dois ex-secretários de Transporte e os empresários encarregados da concessão dos trens, enquanto a secretaria de Transporte, antes submetida ao Ministério de Planejamento Federal, passou para o Ministério do Interior.