Síria acusa rebeldes de utilizarem arma química; oposição nega  

O regime sírio acusou nesta terça-feira os rebeldes de terem disparado um míssil com uma ogiva química na província de Aleppo (norte) que deixou 15 mortos, informou a agência oficial Sana. "Os terroristas lançaram um míssil que continha produtos químicos sobre a região de Khan al-Assal, na província de Aleppo, matando 15 pessoas, em sua maioria civis", acrescentou a agência.

É a primeira vez que o regime do presidente Bashar al-Assad acusa os rebeldes do uso de armas químicas. Damasco se refere aos insurgentes como terroristas. A comunidade internacional advertiu em diversas ocasiões Damasco contra a utilização de armas químicas. Várias autoridades ocidentais e israelenses expressaram, por sua vez, o temor de que estas armas caiam nas mãos de alguns grupos da oposição.

No início de março, quase 200 soldados e rebeldes perderam a vida na batalha pela tomada de controle da academia de polícia de Khal al-Assal, a oeste de Aleppo, da qual os insurgentes finalmente se apoderaram. Há uma semana, o exército lançou uma contraofensiva e reconquistou parte do povoado, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Contudo, um comandante rebelde sírio negou o relato da mídia estatal de que as forças de oposição estavam por trás do ataque e disse que o governo tinha disparado um míssil com agentes químicos na cidade de Khan al-Assal.

"Nós estávamos ouvindo relatos desde cedo esta manhã sobre um ataque do regime em Khan al-Assal, e nós acreditamos que eles dispararam um (míssil) Scud com agentes químicos. Então, de repente, soubemos que o regime estava transformando esses relatos contra nós", disse Qassim Saadeddine, um dos líderes rebeldes e porta-voz do Conselho Superior Militar, em Aleppo. "Os rebeldes não estavam por trás deste ataque", acrescentou.

Líbano

Também nesta terça-feira, o presidente libanês, Michel Suleiman, classificou de inaceitável o ataque realizado na segunda-feira pela aviação síria contra seu território. "O bombardeio aéreo sírio contra o território libanês é uma violação inaceitável da soberania libanesa", afirmou, segundo um comunicado da presidência. É a primeira confirmação oficial de que este ataque atingiu o Líbano.

Uma autoridade militar de alta patente libanesa, que pediu o anonimato, confirmou à AFP o ataque, mas não quis informar se havia atingido o Líbano.