Venezuela vai indenizar sobreviventes e parentes de vítimas da rebelião Caracazo

O governo da Venezuela anunciou que irá indenizar aos sobreviventes e parentes de vítimas do chamado Caracazo, rebelião popular que aconteceu em 27 de fevereiro de 1989, em Caracas que deixou oficialmente 300 mortos e um desconhecido número de feridos. O Legislativo do país, instalará uma Comissão pela Justiça e a Verdade para esclarecer os crimes e desaparecimentos ocorridos entre 1958 e 1999 (no período chamado de a Quarta República).

O Caracazo ocorreu há 24 anos, em 27 de fevereiro de 1989, sob o governo de Carlos Andrés Pérez, que reprimiu com violência protestos contra um pacote econômico decretado por Pérez. Para conter os manifestantes, a polícia e o Exército agiram com violência, provocando as mortes.

Ao anunciar a medida, o vice-presidente do país, Nicolás Maduro disse que não só as vítimas do Caracazo serão indenizadas, como também os perseguidos políticos da chamada Quarta República no país entre 1958 e 1999. “Os tempos de massacre dos pacotes neoliberais ficaram na história”, disse Maduro ao explicar como será feita a indenização, para milhares de pessoas que se concentram na Praça Caracas, em celebração aos 24 anos da rebelião popular.

Maduro informou que o decreto foi aprovado pelo presidente Hugo Chávez em 2009 e agora será aplicado. Segundo o vice-presidente, o governo investirá U$ 19,3 milhões (12.171.600 bolívares). “Nós, que sobrevivemos ao massacre, temos que ensinar às novas gerações na Venezuela sobre o que sofremos. Isso não acontecerá de novo na história do país”, disse.

Apesar de oficialmente, o governo venezuelano considerar que houve 300 mortes na repressão ao Caracazo, algumas organizações não governamentais (ONGs) no país falam em 3.500 mortes.

A Comissão pela Justiça e a Verdade também foi juramentada hoje pelo presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello. O objetivo é investigar os crimes e desaparecimentos ocorridos entre 1958 e 1999, durante a Quarta República, marcado por golpes de estado e ação de guerrilhas no país.

"Sabemos que vai ser feito um trabalho profissional para a história e para a Justiça verdadeira”, disse Cabello, ao anunciar o grupo de integrantes da comissão, composto por juristas, deputados, jornalistas e familiares das vítimas da época.

Cabello disse que a Comissão garantirá o direito à verdade com o objetivo de punir aos responsáveis pelos crimes de lesa humanidade.  “A Comissão tem como função resgatar a memoria histórica e promover a importância dos direitos humanos”, disse.