Perfil do papa no Twitter acabará junto com Pontificado

O tempo de vida do perfil oficial de Bento XVI no Twitter foi tão curto quanto o seu Pontificado. No dia 12 de dezembro do ano passado, o papa publicava o seu primeiro post e, dois meses depois, anunciava que deixaria a mais alta função da Igreja Católica oito anos depois de ser eleito sucedendo João Paulo II, cujo papado durou 27 anos, até sua morte. Mesmo após o surpreendente anúncio, o papa voltou a tuitar, citando a Quaresma e, recentemente, pedindo orações por ele e pela Igreja. O perfil, segundo o Vaticano, terminará nesta quinta-feira junto com o Pontificado do alemão.

Ao contrário da maioria das celebridades, o Twitter do papa não foi utilizado para interação direta com os fiéis. As postagens foram retiradas de seus discursos públicos e, embora Bento XVI tenha aparecido tateando um iPad antes do lançamento da conta oficial, os tuítes são publicados por sua equipe. Mesmo assim, o Pontífice já faz parte da história da Igreja e da internet como o primeiro a utilizar esse tipo de ferramenta.

Poderia ter sido o tuíte do século, mas por razões quase óbvias, Bento XVI resolveu não anunciar sua renúncia através da rede social. No entanto, um dia antes o papa postou uma mensagem que, para muitos internautas, tinha um aviso nas entrelinhas. "Devemos ter confiança na força da misericórdia de Deus. Embora sejamos todos pecadores, a sua graça nos transforma e renova", publicou a conta no domingo, 10 de fevereiro.

O dia preferido para o papa tuitar é, de fato, o domingo. A maior parte das mensagens foi postada nesse dia e retirada do sermão da missa dominical.  No domingo passado, por exemplo, após rezar o último Angelus, o papa postou: “Neste momento particular, peço-vos que rezeis por mim e pela Igreja, confiando sempre na Providência de Deus”.

Espera-se que ele escreva uma última mensagem aos 2.927.523 de seguidores dos nove perfis. Nesses quase três meses como tuiteiro, Bento XVI escreveu 36 vezes. As respostas (mentions) aos tuítes papais se dividiram entre agradecimentos de fiéis, cobranças e brincadeiras.

O Sumo Pontífice tem nove contas, cada uma em um idioma diferente. A principal e que tem mais seguidores (@Pontifex) é em inglês, seguida da conta em espanhol. O Vaticano já anunciou que todas serão deletadas no dia 28 de fevereiro, quando ele deixa o papado, apesar de não identificarem o nome de Bento XVI, o que supõe que poderiam ser utilizadas pelo próximo papa.

No dia do anúncio da renúncia, por exemplo, o assunto dominou a rede social, gerando 1,5 milhão de comentários. Mas um terço deles eram negativos, criticando o papa ou a Igreja Católica, e 38% eram piadas. Apenas 7% dos comentários foram positivos, expressando preocupação com o Pontífice ou esperança quanto ao futuro.

"A ideia do Santo Padre era simples: queria estar onde as pessoas estavam", disse o arcebispo Claudio Maria Celli, presidente do Conselho Pontifical de Comunicações Sociais, em entrevista recente. "Estamos recebendo tuítes que considero indignos de uma pessoa humana", reclamou Celli.