Comissão Europeia envia mais 20 milhões de euros para reforçar ajuda ao Mali 

Brasília - A Comissão Europeia reforçou a ajuda humanitária ao Mali enviando ao país mais 20 milhões de euros. Os recursos deverão ser utilizados na melhoria das condições de vida das pessoas que fogem do conflito armado na região. O anúncio foi feito hoje (22) em Bruxelas, Bélgica. 

A comissária europeia para a Ajuda Humanitária, Kristalina Georgieva, está no Mali para avaliar a forma mais eficaz de aplicação da verba.

“Desde o ano passado, o povo do Mali tem sido atingido por uma tripla crise: primeiro, a seca, com consequências nas culturas; depois, uma crise política e, finalmente, um conflito armado depois de grupos radicais islâmicos terem controlado o Norte [do país]”, disse a comissária.

Em dezembro, já havia sido anunciada uma ajuda humanitária ao país no mesmo valor (20 milhões de euros), mas segundo a Comissão Europeia, a piora na situação levou as autoridades a decidirem pelo reforço no apoio financeiro. A expectativa é que os recursos ajudem 18 milhões de pessoas.

Entre as prioridades do novo fundo de emergência estão a ajuda às crianças desnutridas, a assistência aos cerca de 100 mil refugiados em países vizinhos e a garantia de comida e serviços básicos às cerca de 150 mil pessoas no Mali afetadas pelos conflitos. Autoridades estimam que, por causa da violência, mais de 350 mil pessoas tenham fugido para o Sul do Mali e para países vizinhos.

O Mali, na África, faz fronteira com sete países e está entre os mais pobres da região. Mais da metade de seus 12 milhões de habitantes vive abaixo da linha da pobreza. Nos últimos anos, a instabilidade do país, que tem um histórico de incertezas políticas e golpes de Estado, aumentou com a ação de grupos extremistas islâmicos que tentam combater o governo do país.

A localização do Mali faz com que o país se transforme em área estratégica tanto para extremistas quanto para forças oficiais, atingindo todas as nações próximas.

Os grupos extremistas islâmicos, que representam três comandos distintos, ocupam o Norte do Mali, enquanto o governo tem o controle do Sul. A população se queixa da insegurança e das pressões por parte dos extremistas que adotam a sharia, a aplicação dos preceitos islâmicos no cotidiano.

O Mali é o sétimo maior país do Continente Africano em extensão e um dos mais populosos da região, cercado por sete países - Argélia, Níger, Mauritânia e Senegal, além da Costa do Marfim, Guiné e de Burkina Faso. No próximo dia 29, a crise na região será debatida pela União Africana, que reúne 42 nações.