Argélia: número de vítimas nos conflitos pode subir, diz governo

O número de vítimas na ocupação de uma usina de gás no sudeste da Argélia pode aumentar, declarou o ministro de Comunicação do país, Mohamed Said. O primeiro balanço oficial divulgado pelas autoridades da Argélia nesse sábado informava que 23 reféns argelinos e 32 sequestradores morreram. A ação terminou neste sábado com um ataque final pelas forças especiais, segundo informações oficiais.

"Infelizmente temo que este balanço será revisado para cima", declarou o ministro à rádio pública Chaîne 3. Vários países indicaram que alguns de seus cidadãos que estavam na unidade de gás seguem desaparecidos.

As autoridades argelinas não revelaram, até agora, balanços de vítimas de fora do país.

O Japão diz que 10 cidadãos estão desaparecidos. A Noruega, cinco e a Malásia, duas pessoas. A Grã-Bretanha confirmou a morte de três cidadãos britânicos. França, Estados Unidos e Romênia também disseram que há cidadãos de seus países entre as vítimas.

Segundo o Ministério do Interior, no ataque das forças especiais do Exército, que começou na quinta-feira e terminou no último sábado, foram resgatados 107 trabalhadores estrangeiros e 685 argelinos. O comunicado, que não detalha a nacionalidade das vítimas, destaca que após a operação o Exército apreendeu diferentes tipos de fuzis, dois morteiros, seis mísseis tipo C5 de 60 milímetros com plataformas de lançamento, dois lança-granadas com oito projéteis e dez granadas colocadas em cintos de explosivos.

Após assegurar que "a Argélia acaba de fazer frente a uma agressão terrorista de grande amplitude, que pôs em perigo centenas de vidas e infraestruturas econômicas estratégicas", o Ministério insistiu na complexidade da situação. "A preocupação prioritária de preservar as vidas humanas, os riscos derivados da natureza das instalações de gás, a configuração do local e as ameaças sobre os reféns tornaram complexa a intervenção das forças especiais", ressalta o comunicado.

O Ministério justificou a rápida intervenção como o único modo de evitar mais mortes. "Para evitar um banho de sangue e dada a extrema periculosidade da situação, levando em conta, além disso, a intenção manifesta dos terroristas de fugir com os reféns e explodir as instalações de gás, as forças especiais do Exército efetuaram com eficácia e profissionalismo uma intervenção precisa para neutralizar o grupo terrorista", conclui a nota.